27
de
setembro
A decisão só deverá ser anunciada amanhã, mas é praticamente certa a participação de Lula no debate da Globo, à noite. É certo, também, que ele vai apanhar, mas alguns argumentos foram decisivos para a decisão já tomada: primeiro, ele não passará recibo de sentir medo do confronto; segundo, defenderá a administração como faz sempre, em linguagem direta e compreensível para o povão; e terceiro ficará caracterizado o desespero dos adversários se baterem sem parar.
Há quem defenda que Lula deve dizer coisas como "Cristóvam, você, melhor do que ninguém, sabe que eu lhe dei a grande oportunidade da sua vida pública, mas você não conseguiu corresponder à expectativa no ministério da Educação". E também "Companheira Heloísa Helena, como você mesma disse na entrevista no Jornal Nacional, programa de partido não tem nada a ver com programa de governo. Nós fizemos tudo para mantê-la do nosso lado, mas você preferiu o discurso fácil do radicalismo sem compromisso".
27
de
setembro

O desaparecimento de uma testemunha-chave no julgamento de Miguel Etchecolatz, apontado como torturador durante a ditadura militar, mobiliza a opinião pública e entidades de direitos humanos na Argentina. Jorge Julio López está sumido há nove dias e na tarde desta quarta-feira houve manifestação em frente à Casa Rosada, sede do governo, pela sua devolução com vida. Ao contrário do que aconteceu no Brasil, lá não houve anistia para os que transgrediram a lei em nome do Estado.
27
de
setembro
O site americano World Stupidity Award elegeu a cabeçada de Zidane no zagueiro Marco Materazzi "o momento mais estúpido do ano". Considerando que estamos a três meses do fim da temporada, soa um pouco precipitada a escolha, a não ser que se trate apenas de esporte. Aliás, nem assim, porque a juíza de arremesso que deixou o pé no caminho do dardo no fim de semana, em São Paulo, tem seu valor na competição. Agora, se a estupidez a ser premiada se estender aos inúmeros ramos da atividade humana, é bom esperar até o último minuto do dia 31 de dezembro.
Passa aí na frente pra você ver só.
27
de
setembro
Ruy Bottesi, diretor-executivo da Associação dos Engenheiros de Telecomunicações de São Paulo, está revoltado com "a falta de habilidade e competência do presidente Lula em distorcer os fatos e jogar a culpa em quem não tem nada a ver com falcatruas e atos de corrupção". A queixa procede, já que, ao saber da confusão petista em torno do Dossiê Vedoin, Lula disse "Eu quero saber quem foi o engenheiro que arquitetou uma loucura dessas". Além dos colegas de Bottesi, também os arquitetos foram alcançados no comentário infeliz, que me fez lembrar a piada do sujeito que não se diz racista: "Só não gosto de alemão, porque se propôs a acabar coma judeuzada e fez um serviço de preto".
27
de
setembro
O superávit primário ficou acima dos R$ 13 bilhões em agosto, 134,76% acima do mês anterior. As empresas estatais em todos os níveis da federação contribuiram com R$ 5,122 bi, os governos estaduais entraram com R$ 833 milhões e o federal (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) com R$ 7,228 bi. Esta é a boa notícia do dia na área econômica.
A ruim é que essa dinheirama toda não foi suficiente para cobrir o pagamento dos juros da dívida no mesmo mês, que ficou acima de R$ 15 bilhões. Assim, o déficit nominal foi de R$ 2,387 bilhões. Na seara política, esses números reforçam o discurso contra o pagamento do serviço da dívida e mostram como a Previdência tem dinheiro para se manter se apenas cumprir sua função. Felizmente para o governo, esse discurso não é tucano, mas sim à esquerda do Planalto.
27
de
setembro
Continua na UTI de um hospital na cidade de Córdoba, capital da província (estado) do mesmo nome, na Argentina, o ex-presidente Carlos Menem, 76 anos. Ele desmaiou na noite desta terça-feira, quando discursava em La Calera, segundo os médicos por uma crise de hipoglicemia. Menem está com problemas de saúde há algum tempo e na sexta-feira dia oito foi submetido a uma batelada de exames clínicos em Buenos Aires. Don Carlos foi o presidente que dolarizou a economia, privatizou tudo e instituiu a reeleição na Argentina.
O milongueiro entregou o ouro, mas separou o seu.
27
de
setembro
O programa Observatório da Imprensa, gerado da TVE do Rio para o país, levou ao ar nesta terça-feira interessante painel com correspondentes estrangeiros tratando da cobertura da campanha eleitoral. O protagonismo dos meios de comunicação neste final de campanha foi o tema conduzido por Alberto Dines e no qual se destacou Rocco Controneo, correspondente do jornal italiano Corriere della Sera. Entre outras coisas muitas vezes não percebidas por nós, brasileiros, ele disse que a televisão deveria apresentar programas políticos em horário nobre, por iniciativa própria, para despertar a atenção do povo para a importância do assunto. Também minimizou a mídia impressa, afirmando que no Brasil pouca gente lê jornal, e explicou que a imprensa em geral não tem muita importância no processo eleitoral porque Lula mantém vínculo direto com o povo, sem precisar dela e nem mesmo do próprio PT..
26
de
setembro
A força do nome de Fernando Collor se impõe na corrida eleitoral alagoana ao Senado. Seu concorrente, o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT), tinha 35% das intenções de votos, quando ele lançou a candidatura tardiamente, meio como quem não quer nada, pelo PRTB, já com 26% na primeira pesquisa. Agora está com 36% e Lessa com 31%. Para o Palácio dos Martírios, em Maceió, também houove inversão de expectativas: O tucano Teotônio Vilela Filho pulou de 34% para 39% enquanto João Lyra (PTB) caiu de 46% para 38%.
26
de
setembro
A reta de chegada desse primeiro turno tem mais polêmica religiosa do que a briga do papa com os muçulmanos. Primeiro, Lula lembrou a traição a Cristo; depois Fernando Henrique o xingou de demônio. Agora é a Heloísa Helena quem acusa Lula de blasfêmia e diz que ele está mais para Judas ou Pôncio Pilatos: "Sou cristã e conheço bem a história do Evangelho", disse a candidata psolitária.
Como diria Nélson Rodrigues, "um turista que passasse pelo Brasil nesses dias de campanha, anotaria em seu caderninho: o brasileiro é um coroinha disfarçado".
Heloisa Helena mostra que também é filha de Deus. 
26
de
setembro
No editoral "Destempero", a Folha de hoje, sobre o discurso do presidente venzuelano na ONU, na semana passada: "(…) As desavenças entre Chávez e Bush não são segredo. Mas elas não autorizam o sul-americano a chamar Bush de diabo e queixar-se do cheiro de enxofre na ONU. Diferenças políticas não justificam má educação, especialmente no caso de um líder que representa toda a população venezuelana. O destempero verbal é agravado pelo fato de Bush ser o anfitrião da Assembléia Geral".
Sobre o discurso de Fernando Henrique chamando Lula de demônio e dizendo "temos que expulsá-lo daqui", em São Paulo, o atento diário paulista não publicou nem um puxão de orelha no ex-presidente. Ao que parece, neste caso as diferenças políticas justificam, sim, a má educação.