31
de
outubro
A entrevista do governador paulista Cláudio Lembo a Paulo Moreira Leite no Estadão de hoje nem parece coisa de pefelista. Sobre o ocaso das oligarquias cevadas durante a ditadura, foi didático: "Agora estão exauridas. É o que se vê na Bahia, em Pernambuco, no Maranhão. Em Santa Catarina, os Bornhausen foram esmagados. Acho até que talvez tenha acabado a dinastia Tasso Jereissati no Ceará, uma das primeiras depois do regime militar. Meu temor é que esteja nascendo uma nova, da família do Ciro Gomes". Outra tirada de mestre: "Já tínhamos vivido o fim do ciclo político do regime militar. Agora vivemos o fim do ciclo biológico".
31
de
outubro
Rafael Raposo e Camila Pitanga em "Noel".
Dos 16 filmes de ficção inscritos na 30ª Mostra de Cinema de São Paulo, quatro não têm distribuidor, inclusive um dos preferidos do público, "Noel, o poeta da Vila", de Ricardo Van Steen. Na mesma situação estão sete dos 15 documentários, sem comercialização assegurada nem nos cinemas nem em DVD ou televisão. Na essência, a discussão é: o cineasta deve rodar seu filme sem acertar a distribuição antes? As opiniões se dividem e um debate franco pode pegar fogo, como quase tudo no cinema brasileiro. Estima-se que de 143 títulos inéditos ou em fase de produção ou finalização 43 têm contrato de distribuição. "Proibido proibir", longa de Jorge Durán premiado este ano no Festival de Biarritz e inscrito no Festival do Rio e na mostra paulista, continua sem distribuidor.
31
de
outubro
Detalhes da comemoração da vitória no Hotel Intercontinental, em São Paulo, revelam curiosidades que vão além do cantor-vereador Agnaldo Timóteo gritando "Viva o presidente Lula!" e puxando um "Parabéns pra você" com aquele vozeirão de motorista da Ângela Maria. O neogovernador baiano Jaques Wagner, por exemplo, que é carioca e judeu, ligou para a mãe, no Rio de Janeiro, falou um pouco e estendeu o telefone para Lula: "Presidente, dá um beijo na minha mãe". Fez lembrar o ator Jonas Bloch, na entrevista em que demarcou a diferença entre a mãe judia e a outra: a mãe católica diz para o filho à mesa do almoço "Come tudo senão eu te mato". A mãe judia diz "Come tudo senão eu me mato".
31
de
outubro

A cientista Lindy Thomas, da Universidade de Queensland, na Austrália, posa com coalas nascidos de inseminação artificial, na foto distribuída pela Associated Press. Em tempo de guerras, aquecimento global, fome africana e outras mazelas, é uma gota de colírio no noticiário do dia.
31
de
outubro
O colunista Kennedy Alencar informa na Folha sobre a "bomba atômica" que não foi usada na campanha petista: um anúncio de 30 segundos onde retratos de ex-presidentes apareceriam pendurados num muro, ao lado da foto de Lula. Getúlio, João Goulart e Juscelino Kubitschek. Um locutor diz mais ou menos que os três foram perseguidos porque defendiam sinceramente o povo brasileiro, mas Lula conseguiria vencer "com a força do povo". É uma peça de fato muito forte, que poderá ser usada a qualquer momento do governo, se provocado pelas elites reacionárias.
Na realidade, o apelo de estilo getulista se fez sentir de maneira brilhante no segundo turno, através do bordão "Deixa o homem trabalhar!", que remete ao queremismo getulista de 1950. Na campanha de então, a marchinha que ajudou a elegê-lo dizia "Bota o retrato do velho/bota no mesmo lugar/o sorriso do velhinho/faz a gente trabalhar". É ou não é a mesma mensagem, numa época em que o povo era mais ingênuo? A diferença em relação a hoje é que o povo não é mais bobo como antes e uma "bomba atômica" como o anúncio inédito pode dividir o país mesmo, como escreve Kennedy.
Vargas se matou em 54, JK foi exilado em 64.
30
de
outubro
Deu no O Dia deste domingo de empolgação eleitoral em todo o país: "O arquiteto Oscar Niemeyer, 98 anos, decidiu se casar com sua secretária, Vera, 60, que o acompanha há 30. É o amor tomando sua melhor forma. ‘Não marcamos ainda a data. Deve ser no mês que vem’, explica Vera. A notícia era mantida em sigilo na família. O casório só ocorrerá no civil - o arquiteto é ateu".
30
de
outubro
Lago é o fim da "noite de 40 anos".
Depois da ACM, o grande derrotado nestas eleições foi José Sarney, com a vitória de seu adversário histórico Jackson Lago, do PDT, festejado como o homem que pôs fim a 40 anos de oligarquia sarneysta no Maranhão. O próprio patriarca teve dificuldades para reeleger-se senador pelo Amapá, onde enfrenta firme oposição encabeçada pelo ex-governador e ex-senador João Alberto Capiberibe.
Hábil, Lago lembra que em eleições passadas foi apoiado por Lula, que desta vez subiu no palanque de Roseana, mas atribui a opção a um "acidente de percurso". O "fim da noite de 40 anos", como dizem seus partidários e eleitores, sinaliza um novo tempo para o estado brasileiro que ostenta alguns dos piores índices de desenvolvimento.
30
de
outubro
Jaques Wagner, governador eleito da Bahia e amigão de Lula, aposta na reforma ministerial antes do fim do ano, abrindo espaço para gente nova e gente nem tão nova assim. Marta Suplicy pode ir para o ministério das Cidades, Nelson Jobim para a Justiça, Ciro Gomes para a Saúde, e por aí vão as especulações.
O bicho pega é na hora de escolher um ministério para Roseana Sarney. Wagner não diz, mas Lula não deixará no ostracismo nem pai nem filha que o defenderam quando as elites tramaram contra seu mandato, ainda no começo do governo.
30
de
outubro
Guido no olho do furacão, de novo.
Antes mesmo da nova posse, começa nas entranhas do governo a briga dos desenvolvimentistas contra os monetaristas, disputa antiga, dos tempos de Fernando Henrique, e que situa em campos opostos quem defende a queda dos juros e a retomada imediata do crescimento econômico e quem propõe o contrário, a manutenção dos juros para atrair investimentos ao mercado financeiro, mantendo os lucros dos bancos nas nuvens.
De um lado estão Guido Mantega, Dilma Rousseff, Tarso Genro e outros menos influentes. Seu alvo prioritário é Henrique Meireles. De outro, o deputado Antônio Palocci, o próprio Meireles e seus colegas banqueiros. O alvo é o ministro da Fazenda. Segundo Bob Fernandes, no portal Terra, a batalha se dará em dois momentos, e o primeiro, "já em andamento", busca fustigar diretamente o ministro Mantega através de notinhas plantadas na imprensa, só para desgastá-lo. É tática mais antiga do que a briga que a provoca, mas sempre dá resultado.
30
de
outubro
Na ressaca da vitória petista, analistas interpretam de forma distinta por que Geraldo Alckmin teve menos votos no segundo turno do que no primeiro. Há quem diga que na primeira rodada muita gente votou em Alckmin em protesto contra Lula, para forçar o segundo turno, como pregava Cristóvam Buarque. Há quem considere que Alckmin não conseguiu empolgar nem mesmo os tucanos de São Paulo na segunda fase da campanha eleitoral. E há quem diga, como um adversário anônimo no Painel da Folha de hoje, que "quando o eleitor conheceu melhor Geraldo Alckmin, teve menos vontade de votar nele".