31
de
outubro
Bomba atômica
O colunista Kennedy Alencar informa na Folha sobre a "bomba atômica" que não foi usada na campanha petista: um anúncio de 30 segundos onde retratos de ex-presidentes apareceriam pendurados num muro, ao lado da foto de Lula. Getúlio, João Goulart e Juscelino Kubitschek. Um locutor diz mais ou menos que os três foram perseguidos porque defendiam sinceramente o povo brasileiro, mas Lula conseguiria vencer "com a força do povo". É uma peça de fato muito forte, que poderá ser usada a qualquer momento do governo, se provocado pelas elites reacionárias.
Na realidade, o apelo de estilo getulista se fez sentir de maneira brilhante no segundo turno, através do bordão "Deixa o homem trabalhar!", que remete ao queremismo getulista de 1950. Na campanha de então, a marchinha que ajudou a elegê-lo dizia "Bota o retrato do velho/bota no mesmo lugar/o sorriso do velhinho/faz a gente trabalhar". É ou não é a mesma mensagem, numa época em que o povo era mais ingênuo? A diferença em relação a hoje é que o povo não é mais bobo como antes e uma "bomba atômica" como o anúncio inédito pode dividir o país mesmo, como escreve Kennedy.
Vargas se matou em 54, JK foi exilado em 64.

