Visão Crítica

Política, economia, cultura e cotidiano por LUIZ AUGUSTO GOLLO

30

de
setembro

Humor negro

         

O fotógrafo talvez não tenha sequer notado, mas o editor na web bateu o olho nas conseqüências da enchente e viu, de cara os prédios formando as letras LOL, "laughing ou loud". Traduzido para o português, é o nosso RSRSRS ou KKKKK nas mensagens internéticas. 

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21

de
setembro

Berezovski Joorabchian Dualib

 Dualib vê o sombrio horizonte.

Boa notícia para o futebol em geral e para o Corínthians em particular, a renúncia de Alberto Berezovski Joorabchian Dualib à presidência do clube poderá significar o início de uma limpeza nos bastidores da cartolagem brasileira. Lavagem de dinheiro, orientação a atletas para abrirem contas em paraísos fiscais (driblando os impostos e a Receita) e outros procedimentos pouco ortodoxos estão na lista das bandidagens corintianas. Se a Polícia Federal estender a Operação Perestroika a outros clubes, federações e à própria CBF, quem sabe o ar não fica mais respirável nas sedes sociais e nos campos? 

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21

de
setembro

Luto no picadeiro

Ilusão de ótica enriquece o show.

O microfone encobre o nariz do presidente do Senado, Renan Calheiros, na foto de Lula Marques, da Folha de S. Paulo, e faz cócegas na imaginação de que a observa. No site, o jornal registrou como "Renan nariz quadrado", um título burocrático. Qual você daria?

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21

de
setembro

Atrás de Cuba

     

O Brasil está em 40º lugar entre os países mais agradáveis de se viver, segundo pesquisa divulgada pela revista Reader’s Digest. Estamos à frente de vários vizinhos, como Chile (43º), Paraguai (44º), Peru (52º), Colômbia (53º), México (63º), Venezuela (68º), Equador (69º) e Bolívia (75º). Estamos atrás da Argentina, do Uruguai, da costa Rica e até de Cuba (36º), que sofre um "período especial" desde que acabou a URSS, no fim da década de 1980. A lista foi elaborada a partir da análise de indicadores de qualidade ambiental e de vida, com o objetivo de descobrir os melhores países em termos ambientais, mas nos quais "as pessoas possam prosperar". O ranking também levou em conta fatores sociais, como educação e renda. Vale registrar, ainda, que a revista sempre foi uma das publicações norte-americanas mais reacionárias do mundo, que saudou o golpe militar de 1964 aqui com uma matéria intitulada "Brasil: o país que salvou a si mesmo". 

20

de
setembro

Drible da foca

O atacante cruzeirense Kerlon (com esse nome, tinha que ser jogador de futebol) não inventou nada, mas a imprensa esportiva tratou de batizar de “drible da foca” a jogada em que ele ergue a bola com o pé e passa pelos adversários quicando-a na testa. Ou pelo menos tenta, porque os zagueiros vão logo baixando o pau, jogando o corpo contra ele. Consideram a jogada um desrespeito, um acinte, onde já se viu? Um certo Luiz Alberto, do meu querido tricolor das Laranjeiras, declarou tomado de ira santa que “arregaçaria” Kerlon (vem cá, isso não é de passar no cabelo não?) se tentasse o polêmico drible. E o lateral esquerdo santista Kleber o acusou de provocar os adversários. Imagino se jogasse nos tempos de Pelé, Coutinho, Pepe, Mengálvio e companhia bela, quando as jogadas superavam a imaginação da torcida, ou nos dias de um certo Garrincha, que deixava adversários de bunda no gramado, em dribles verdadeiramente humilhantes.

Nunca ouvi que quisessem “arregaçar” qualquer desses craques de ontem; antes ao contrário, eram admirados e respeitados por jogadores, técnicos e cartolas de todos os times, inspiravam crianças e adolescentes, causavam inveja até aos colegas de clube, enfim, desfilavam como semideuses dentro e fora dos estádios. Lembro de Pelé, falando sobre sua fama mundial, dizendo algo como “Já pensou o que é descer do avião num lugar onde você nunca pisou e encontrar três mil crianças gritando o seu nome?” Era o que ocorria nos aeroportos onde o Santos dos anos gloriosos da década de 1960 desembarcava para amistosos e torneios internacionais. O episódio a que ele se referiu aconteceu numa capital africana, mas ocorria em muitos lugares para onde levavam-se ônibus e mais ônibus de crianças para ver o artista único do futebol mundial.

Bons tempos aqueles! bem diferentes desses em que um jogador mediano como o Carlos Alberto, também revelado no Fluminense e em boa hora vendido ao Corinthians do MSI, é flagrado ao telefone comunicando à gerente do banco que abrirá empresa num paraíso fiscal para fugir aos impostos brasileiros. Isso é que merece um “arregaço”, tanto quanto as jogadas anti-esportivas, anti-éticas e imorais dos deputados sanguessugas e mensaleiros, dos magistrados que vendem sentenças a traficantes, dos empresários que sempre distribuíram propinas em todos os níveis de governo e agora dizem “Cansei”.

Provocação verdadeira, como acusa o Kléber, do Santos, é o que faz o Renan equilibrando a bola da corrupção na testa por gabinetes, corredores e até pelo plenário do Senado, driblando acusações comprovadas de aquisição de meios de comunicação em tabelinha com “laranjas” e tráfico de influência em favor da Schincariol (por sinal, incapaz de fabricar cerveja digna do nome). Provocação mesmo é o Marco Aurélio Melo soltar os bicheiros preso pela Polícia Federal na Operação Furacão, provocação é a sucessão de novelas alienadas e alienantes na telinha da tevê, anestesiando as classes média e baixa com falsos dilemas morais, éticos e sexuais.

No futebol, drible da foca, da vaca, lençol, chapéu, gol de letra, passe de calcanhar, tudo embeleza o espetáculo e fura o bloqueio das retrancas, porradas no adversário, caneladas pela linha de fundo e chutões pro mato que caracterizam a mediocridade. Viva Kerlon, cuja habilidade acrescenta graça ao talento brasileiro. Se Deus quiser e o Dunga não atrapalhar, ele pode até encantar os gramados internacionais com a camisa amarela.

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19

de
setembro

Sincretismo

O deputado Clodovil Hernandez troca o PTC, Partido Trabalhista Cristão, pelo PR, o Partido Republicano, cujas origens são declaradamente mais cristãs do que o que o elegeu por São Paulo. Pelo menos é lá que está o senador Marcelo Crivela, bispo de Igreja Universal, que, como todas as denominações cristãs, condena o homossexualismo…ou não mais?

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19

de
setembro

A fila anda…

   Jane e Omar, casal improvável.  

Cinco meses de casar-se com o filho de Bin Laden, Omar, de 27 primaveras sangrentas, a britânica Jane Felix Browne, na flor dos 51 anos, decidiu separar-se. Não aguentou as pressões da família do marido e as ameaças sofridas na Arábia Saudita.

 "Não estava disposta a ver o homem que eu amo morrer; portanto, decidimos colocar um fim à relação", declarou a melodramática Jane, no encerramento do seu quinto matrimônio.

19

de
setembro

Anacronismo

Um soldado de 42 anos está preso no Batalhão da Guarda da PM no Recife porque desobedeceu à ordem da tenente de carregar sua mala. Sílvio Manoel de Souza tem 20 anos de polícia e alegou que a tarefa jamais constou de suas atribuições, mas de nada adiantaram suas alegações ou as manifestações de apoio da Associação de Soldados Cabos e Sargentos e de entidades de defesa dos direitos humanos.

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14

de
setembro

Quem viver verá!

 …e tudo se resumiu a comer fora.

Não deveria tratar do assunto, afinal todo mundo já meteu sua colher de pau na absolvição do Renan Calheiros, mas não consigo conter a indignação. Os senadores não conseguiram fazer o que a opinião pública exigiu até com cartazes e faixas estendidos à passagem dos carros oficiais na Esplanada dos Ministérios na manhã da quarta-feira 12, a quarta-feira fatídica, que entrará para a história republicana como o dia em que a mentira, a falsidade ideológica, a falsificação, a fraude, o embuste, a roubalheira venceram.

Dizem que Renan responderá agora a processos outros no Senado e na Justiça, o que causa apreensão ao mesmo cidadão comum que confiava na hombridade de pelo menos 41 dos 82 senadores.

Dizem que Renan intimidou seus pares no discurso derradeiro de defesa, dirigindo-se explicitamente a Jefferson Peres para dizer: “Veja bem, senador Jefferson, eu poderia ter empregado a Mônica Veloso em meu gabinete, mas não o fiz”. Mais adiante, apontou o dedo podre para Pedro Simon: “Veja bem, senador Pedro Simon, a Mônica Veloso tem uma produtora de vídeo. Eu poderia ter contratado com dinheiro da presidência do Senado, mas não o fiz”.

Pelo que entendi, Jefferson Peres mantém uma amante ou ex-amante em seu gabinete e o senador Pedro Simon em algum tempo contratou os serviços profissionais da empresa de uma amante ou ex-amante. Renan jogou lama sobre a reputação de dois senadores até agora ilibados. É a mesma tática que empregou contra a revista Veja, atacando negócios escusos da Editora Abril. Manobra diversionista, dirão os inconformados como eu.

Da Dinamarca, onde Shakespeare ambientou a tragédia incestuosa de Hamlet, Lula não comemorou abertamente a absolvição, mas é claro que gostou, declarando até com muita propriedade que a decisão do plenário do Senado é soberana e deve ser acatada. Tudo, bem, mas não é bem a decisão dos senadores que está em questão, é a maneira como se chegou a ela, os caminhos tortuosos, as pressões, ameaças cuja conseqüência óbvia serão as retaliações contra os senadores que pediram a cabeça de Renan numa bandeja de prata. O estilo é o homem e o alagoano que começou carreira na esquerda em Murici, no interior do estado provará isto a partir de já.

Dizem que ele terá daqui para a frente mais poder do que antes. Pode ser. Só sei que o PT saiu enfraquecido com a abstenção de Aloyzio Mercadante, confessada, e de Ideli Salvati, presumida. Em nome da prorrogação da CPMF os senadores petistas meteram a mão e se sujaram na lama, extensiva ao partido e ao presidente da República, aceitem ou não, admitam ou cometam sofismas de telenovela.

Tem razão o Gabeira: algo morreu na quarta-feira 12 de setembro na absolvição de Renan, e tenho cá pra mim que foi o que ainda restava de prestígio do Senado. Daqui a três anos, quando enfrentarem as urnas da reeleição, dois terços dos senadores se verão diante da memória popular, e se a justiça prevalecer terão o mesmo destino dos mensaleiros e da sua infeliz dançarina na Câmara dos Deputados.

11

de
setembro

Eclipse

              

O eclipse parcial do sol é visto no paralelo 31 em Santana do Livramento (RS), na fronteira do Brasil com o Uruguai, pela lente do fotógrafo Duda Pinto, da Folha Imagem, em destaque no flagrantes do dia estampados na página eletrônica do jornal.

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