22
de
novembro
Chávez, CPMF, Renan, TV pública…
“Falastrão”, “fanfarrão”, “ditador” são apenas alguns dos qualificativos do presidente venezuelano Hugo Chávez na imprensa brasileira. A mesma que torce descaradamente pela morte de Fidel Castro e que atira pedras diuturnas no nosso próprio presidente Luís Inácio Lula da Silva. Coincidência? Não creio. É a imprensa que noticia com espírito olímpico as atrocidades de George Bush no Iraque, em Guantánamo e onde mais os Estados Unidos intervenham. Enfim, é uma imprensa de direita, reacionária, avessa aos avanços sociais e preocupada com seus interesses mais ou menos encobertos.
É um tipo de jornal, revista, rádio e televisão que noticia como estatística fria os jornalistas assassinados nas guerras mundo afora, mas esconde em notas de pé de página os crimes contra jornalistas brasileiros aí pelo interior, ameaçados, intimidados, presos e até mortos por contrariar interesses dos poderosos que insistem em desafiar os séculos como representantes de um anacronismo gritante e escandaloso. É interessante notar que a Sociedade Interamericana de Imprensa e os Repórteres sem Fronteiras dão maior relevância à perseguição à liberdade de informação no interior do Brasil do que os jornalões e as revistonas expostos nas bancas.
Os donos da mídia, salvo raríssimas e honrosas exceções, são farinha do mesmo saco no mundo inteiro, ainda mais agora que não existe mais regime comunista, salvo em Cuba (se é que aquilo é comunismo – eu duvido). Na Venezuela, no Brasil, na Argentina, nos Estados Unidos, famílias se perpetuam no comando dos principais veículos de comunicação de massa, perpetuando também privilégios, isenções e benesses oficiais, assim como os bancos e outros menos visíveis.
Quando aparece um Hugo Chávez e não renova a concessão pública de uma estação de televisão porque ela nunca atendeu aos interesses da sociedade, mas sim aos seus próprios, inclusive fomentando e articulando golpes de Estado contra o governo eleito. Aqui no Brasil, assistimos na última campanha presidencial a um festival de denúncias contra Lula, dirigentes do seu partido, deputados petistas, integrantes do governo até o terceiro escalão, enquanto denúncias contra o concorrente, seus correligionários e partido foram ignoradas como invenção.
Em vez de cassar concessões, Lula preferiu criar a nova TV pública brasileira, com um conselho diretor comandado pelo DEM Cláudio Lembo, presidida pela jornalista Teresa Cruvinel e com o noticiário comandado pela jornalista Helena Chagas. Pretende-se estabelecer a distinção entre “estatal” e “público”, com uma TV Brasil inspirada no exemplo da BBC de Londres e da RTP portuguesa. Com seriedade e profissionalismo.
Mas no Brasil onde a cidadania é privilégio dos detentores do dinheiro, como acaba de mostrar o jornalista Antônio Pimenta Neves, sob o generoso manto do STJ, os reacionários de sempre tentam desqualificar a iniciativa. Ameaçam não aprovar a Medida Provisória que criou a nova tevê, como fizeram com a secretaria de Ações de Longo Prazo e com a prorrogação da CPMF. Preferem salvar o Renan a manter o único imposto capaz de denunciar sonegadores, corruptos e ladrões através do seu extrato bancário. Pensando bem, faz sentido, não é mesmo?



