Visão Crítica

Política, economia, cultura e cotidiano por LUIZ AUGUSTO GOLLO

8

de
novembro

Trégua de 20 dias

Vinte dias de férias deixam qualquer um com vontade de colar adesivo “Xô stress” em tudo que é vidro, ainda mais eu, que percorri de carro com minha mulher e meu irmão o litoral desde Búzios até Porto de Galinhas, com direito a Morro de São Paulo e Maceió, onde, aliás, só falaram do Renan uma vez, rapidamente, na areia de Pajuçara. Foram mais de três mil quilômetros de mar, camarão, peixe frito, cardumes nadando em volta da gente e piscinas de pousadas, hotéis e um resort em Pernambuco. Isso sem falar que da Bahia pra cima não tem essa chatice de horário de verão.

Vinte dias sem Polícia Federal, Ministério Público, nada. Uma noite olhei a televisão quando dava entrada numa pousada e vi a imagem do deslizamento de terra no túnel Rebouças. Era tudo tão remoto que parecia na Índia, no Cazaquistão, sei lá. Na Índia não podia ser porque senão teria morrido uma multidão. Acho que lá, como na China, as notícias de acidentes são mais ou menos assim: “Choque de bicicletas numa esquina de Pequim – sete mortos e 18 feridos, três na UTI”.

Outra coisa que lá também é mais drástica é a punição para quem está em cargo público. O diretor da Anvisa chinesa, por exemplo, foi condenado à morte há alguns meses porque aceitou suborno de laboratórios farmacêuticos para liberar remédios. Não digo na vigilância sanitária, que por aqui parece séria e cumpridora dos seus deveres, mas se se tivéssemos o rigor chinês, ia sobrar chapéu até no Ministério da Cultura, onde a polícia desbaratou a quadrilha que cobrava propina para liberar a captação de financiamentos. Veja bem: eu disse “captação”, não é corrupção propriamente, é a perspectiva de corrupção.

Vinte dias apenas e cá estou de volta à realidade brasileira, sempre tão criativa e tão repetitiva também. Desço do avião, vindo de Recife, e a discussão do momento é sobre a legalização da profissão de prostituta, veja você! Vinte diazinhos de praia decididamente não compensam o resto do ano no planalto central, cercado de tubarões de todas as partes do país, eleitos, nomeados, concursados e lobistas em geral, mas que fazer? Pelo menos vamos sediar a Copa de 2014, se é que isso é consolo.

Arquivado em: Cotidiano I

1 Comentário »

  1. Comentário por carlos joão — 20 20UTC novembro 20UTC 2007 (21:12)

    Vida boa, mesmo, hein? também estive em Morro de S. Paulo, há anos, com Andreia. Belo passeio. Qualquer hora ligo p vc. Abraço a todos.

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