14
de
dezembro
CPMF
Se você é capaz de me dizer quanto pagou de CPMF neste ano é porque movimenta muito dinheiro na rede bancária. Eu mesmo não faço a mínima idéia de quanto somou o 0,38% sobre saques, transferências e outras operações na minha conta no Banco do Brasil. Nem quero entrar na discussão sobre o destino dessa grana, se foi para a saúde ou para a doença, para a pobreza ou para a riqueza, só sei que saiu na urina, ao contrário dos 27,5% do imposto de renda sobre o meu salário – que não é renda, como sabemos todos os tapuias. Mas essa é outra história.
Chamou atenção a festa dos senadores oposicionistas depois da derrota da proposta do governo, e nem sou governista, acho até que a incompetência do Lula para negociar é ancestral, vem de seus tataravós lá nas brenhas do agreste, sempre de cabeça baixa, submissos, culturalmente tão avançados quanto os bodes da região. Só isso explicaria a falta de tato na negociação, a absoluta ausência de “timing”, a soberba, enfim, o despreparo para resolver uma questão que superava em muito os interesses políticos.
Mais espantoso foi ver senadores dos Democratas e do PSDB comemorando a derrota da emenda governamental. Ora, não eram exatamente aqueles senhores que em 1996 pugnaram e deitaram falação na defesa da proposta do ministro Adib Jatene? Não foram liberais e tucanos que enfiaram goela abaixo da nação, graças ao “rolo compressor” do Fernando Henrique, o IPMF, em seguida transformado em CPMF?

Cabe aqui o parênteses: sabe por que a mudança de “imposto” para “contribuição”? É que um vai todo para o governo federal, enquanto a outra tem de ser dividida com estados e municípios. Fecha o parênteses.
Hoje PSDB e DEM são contra a CPMF que aprovaram em 1996 porque mudou o país, mudaram os partidos, ou a saúde dispensa o dinheiro da contribuição? Nenhuma das alternativas anteriores. O país continua sem recursos para a saúde, o PSDB é o mesmo e os liberais só mudaram de nome. A questão da CPMF, fora a cornucópia de dinheiro para o governo, é que o acesso às informações permite detectar sonegação, sinais de enriquecimento ilícito e outros crimes menos visíveis a olho nu. Não por acaso a Justiça teve de abrir a caixa preta às investigações policiais – os bancos escondiam a CPMF sob o sigilo bancário.
Hoje pela manhã vi o Everardo Maciel, ex-secretário da Receita Federal, que entende do riscado, dizer que já há outros modos de cruzar muitas informações sem a CPMF, mas é preciso achar um novo instrumento para as operações internacionais entre empresas. Por aí escoa muito dinheiro, limpo e sujo.
No mais, o governo terá de aumentar um imposto aqui, outro ali e controlar os gastos públicos, coisa difícil nessa cultura político-administrativa em que vivemos. Acho que saía mais barato contribuir com 0,38% da movimentação financeira para o SUS…ou não?

