Visão Crítica

Política, economia, cultura e cotidiano por LUIZ AUGUSTO GOLLO

31

de
março

O mosquito não perdoa

A dengue avança no Rio e traz à discussão questões de ordem administrativa, política e até cultural, se nos dedicarmos ao recente decreto do governador Sérgio Cabral Filho abrindo as portas residenciais aos agentes encarregados do combate ao mosquito, independentemente da vontade do dono ou ocupante dos imóveis. Faz lembrar, de imediato, a guerra da vacina contra a febre amarela encabeçada por Oswaldo Cruz, em 1904. Passados mais de cem anos, nada terá mudado na mentalidade do carioca, ou a nova realidade de insegurança e domínio do narcotráfico sobre áreas não assistidas criaram este cenário adverso?

Em qualquer hipótese, o surto de dengue no Rio de Janeiro se soma à recente onda de febre amarela no Centro-Oeste, e em ambos os casos sanitaristas, epidemiologistas e pesquisadores apontam falta de planejamento e de ação dos governos em todos os níveis. No caso da febre amarela, bastava a vacinação preventiva em massa, como se faz com a pólio, para extingui-la, sobretudo se considerarmos que a vacina existe em escala industrial desde a década de 1930. No caso da dengue, há pelo menos dez anos, afirmam os especialistas, já se sabia do seu recrudescimento futuro, mas nenhuma providência prática e eficaz foi determinada ou tomada.

Um outro fator preocupante é a transformação do surto num jogo de empurra político-administrativo, como se o aedes aegypt tivesse filiação partidária ou corrente ideológica. A conseqüência são os evidentes prejuízos à sociedade, traduzidos até agora em 54 mortes e dezenas de milhares infectados, muitos deles crianças, mais suscetíveis à dengue. Enquanto as autoridades decidem se o mosquito é municipal, estadual ou federal, a população não tem a quem recorrer, o que confere ao enredo cores dramáticas, muitas vezes trágicas em seu desfecho.

O decreto do governador tem eficácia questionada, seja pelo princípio da inviolabilidade do lar, previsto na Constituição da mesma forma que os nobres propósitos da lei emergencial, seja pela sua ineficácia administrativa. Afinal, os próprios agentes encarregados de visitar residências sabem que sua ação é inviável não só nas favelas controladas por traficantes, como também nos condomínios de classe média onde a segurança particular impede o acesso para evitar armadilhas de ladrões e assaltantes travestidos de bombeiros ou agentes da Defesa Civil.

É neste cenário que as versões se esbarram e com freqüência colidem de frente, restando ao cidadão comum a perplexidade das perguntas simples: por que o programa Saúde da Família, que existe desde 1994, tem adesão de 80% no Brasil e apenas 8% no Rio de Janeiro? Por que o Exército entrou no combate à dengue com a oposição da prefeitura carioca? Qual a real situação da rede de atendimento ambulatorial e hospitalar do Rio? O decreto que permite a invasão de casas trará resultados concretos? O que é científico e o que é político neste combate ao mosquito transmissor da dengue?

26

de
março

Vida de artista

               

                O humor de Sendra, no Clarín argentino desta quarta-feira.    

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21

de
março

O caos nosso de cada dia

             

              No tempo em que carrão era sinônimo de felicidade.

 

Um dos mais festejados símbolos ostensivos da sociedade de consumo, o automóvel parece condenado a não ser mais sinal de status pessoal e passar à condição de veículo de transporte individual. E nesta outra condição tornar-se o grande vilão do caos do trânsito nas principais cidades brasileiras. A bem da verdade, o automóvel sofre sérias restrições nos países europeus onde o espaço público é cada dia mais disputado, mas é nas metrópoles de economia emergente que os problemas de trânsito mais desafiam neste momento governos, engenheiros, urbanistas, arquitetos e outros especialistas de alguma forma envolvidos na questão.

Os recentes e seguidos congestionamentos de trânsito nas grandes cidades brasileiras são mais do que um alerta, são o sintoma de que é preciso mudar posturas, comportamentos e mesmo a cultura sem perda de tempo, em nome da qualidade de vida, já sofrível por outros fatores, das populações atingidas. Os engarrafamentos diários são a maior evidência do descontrole sobre o transporte urbano e de todos os males que ele acarreta, como estresse, desgaste de material, poluição e perda de tempo e de dinheiro, já que frete atrasado consome mais combustível e encarece os produtos.

Até agora as soluções adotadas e/ou anunciadas pelos governos são paliativos já empregados nas cidades que enfrentam o problema há mais tempo. Rodízio, pedágio, semáforos e câmeras nos principais pontos de estrangulamento do tráfego servem para constatar o mal, mas não para curá-lo. Como a cada dia há mais automóveis em circulação nas mesmas vias congestionadas, a solução para o trânsito talvez seja desestimular o uso de carro para ir e voltar do trabalho. Isto pode ser conseguido com um serviço de transporte público eficiente e suficiente – o que é outro problema das cidades brasileiras.

Mas a questão do trânsito se estende à economia em geral, à maior oferta de apartamentos e casas em áreas mais afastadas, à construção de viadutos, pontes e vias expressas para o escoamento satisfatório dos veículos, aos edifícios-garagem e estacionamentos centrais. Como não há controle da sociedade sobre esses benefícios, avilta-se o espaço urbano ao ponto de moradores de um condomínio paulistano, o Portal do Brooklin, enfrentarem toda manhã extensa fila de automóveis para sair do seu endereço e alcançar o engarrafamento externo.

Há muito de falta de controle do poder público sobre as expansões desses condomínios oferecidos à classe média como a “solução da casa própria”. São construídos vários prédios residenciais altíssimos, no geral em grandes áreas verdes periféricas das metrópoles. São os condomínios equipados com espaços comuns amplos, trilhas de caminhada e corrida, academias de ginástica, piscinas, churrasqueiras, tudo no meio de muito verde, com apelo publicitário bucólico destacando a “qualidade de vida”. Ninguém adverte, entretanto, que o comprador de um apartamento nesses lugares enfrentará os maiores engarrafamentos de sua vida, porque terá de se deslocar em transporte próprio diariamente.

Todos os profissionais ligados à vida nas grandes cidades brasileiras concordam que a abordagem do problema da locomoção diária inclui transporte, moradia, educação, saúde, segurança e, portanto, uma logística complexa que precisa considerar inúmeros fatores. Se não houver investimentos pesados em transporte coletivo e planejamento urbanístico competente, em dez anos será impossível trafegar nas grandes metrópoles brasileiras. Estudos sobre esses assuntos nós tempos e foram aplicados em capitais como Bogotá, Santiago do Chile e Cidade do México. Aqui falta apenas uma coisa: vontade política.

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18

de
março

Pensando bem…

                      

 

Parte da mídia diz que Dalai Lama endurece o jogo contra o governo chinês ao ameaçar renunciar, se a violência contra os tibetanos continuar. Na minha modesta opinião, o líder máximo do Tibete está é amolecendo. Meses atrás ele ameaçava reencarnar em outra parte do planeta onde não haja perseguição chinesa.

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16

de
março

Onde mora o perigo

 Bush e Uribe, felizes da vida.

 

Cresce uma onda de denúncias contra as Farc segundo a qual elas mantêm bases avançadas em países limítrofes à Colômbia, como aquela bombardeada algumas dezenas de quilômetros dentro do Equador, no começo do mês. Estariam no Brasil, na Venezuela, no Peru, mas não no Panamá, onde os Estados Unidos estão presentes há mais de um século. Para quem não se lembra, os marines já invadiram o país para prender o general Manuel Noriega, ditador corrupto ligado ao tráfico internacional de drogas. Foi em 1989, por ordem de Bush pai, o mesmo da Guerra do Golfo contra a ocupação iraquiana do Kuwait. Como Saddam Hussein, Manuel Noriega foi aliado dos norte-americanos durante um bom tempo, inclusive como informante da CIA, mas o prazo de validade expirou.

Para os que pensam que esta é outra história, vale lembrar também que Bush filho decidiu invadir o Iraque em março de 2003 sob a acusação de que Saddam escondia armas químicas e que tinha ligações com os ataques de setembro de 2001 aos EUA. Mentira. O Iraque não escondia armas químicas e o autor da façanha foi Osama Bin Laden, de origem saudita e cujo avô manteve a vida inteira negócios em torno do petróleo com texanos do mesmo ramo, em especial os Bush. Michael Moore explorou à exaustão esta verdade no seu semi-documentário “Fahrenheit 9/11”, inclusive enfatizando que apesar de todo o poderio militar e a vocação intervencionista os Estados Unidos ainda não puseram as mãos no responsável pelo 11 de Setembro.

Para quem acha que esta também é outra história, chamo a atenção para o Plano Colômbia, assinado em 2000 pelos presidentes Bill Clinton e Andrés Pastrana, antecessor de Álvaro Uribe Vélez, enfant gaté do momento de George W. Bush. As primeiras evidências da ligação de Uribe com a cocaína remontam ao tempo em que ocupou a direção do Departamento de Aeronáutica Civil do governo federal, aos 28 anos de idade, em 1980, e facilitou a concessão de licenças para pilotos do cartel de Medellín. Suas relações com Fabio Ochoa e Pablo Escobar, os grandes chefes do tráfico dos anos 80, assim como com os paramilitares da extrema direita, foram a herança imaterial deixada por seu pai, o latifundiário criador de gado Álvaro Uribe Sierra, morto em 14 de junho de 1983 durante uma tentativa de seqüestro das Farcs.

Assim como quem não quer nada, em nome do combate ao terrorismo internacional os norte-americanos mandaram o exército colombiano cruzar a fronteira com o Equador, criando o clima para Bush pressionar o Congresso para aprovar um acordo de livre comércio com a Colômbia. O acordo abrirá o mercado norte-americano aos produtos colombianos e o mercado colombiano aos produtos norte-americanos, livres de taxas e limitações. Não é preciso ser economista para saber quem levará vantagem, por isto a idéia da Área de Livre Comércio das Américas, a Alca, não vingou. Aprovado o acordo no Congresso, começará a expirar o prazo de validade de Uribe Vélez.

Com Bush, se não vai por bem, vai por mal. Se não deram certo as negociações pela diplomacia, vai na porrada. É característica dos governos dos Estados Unidos desde o começo do século passado, quando o presidente Theodore Roosevelt empregou o termo “big stick” para definir como deveria ser daí por diante a política externa de seu país do lado de cá do Atlântico. Daí, não é de estranhar que os EUA tenham bases militares em Curaçao, Aruba e no Equador equipadas com aviões-espiões, aviões de transporte, caças F-16 e aviões-radar Awacs, capazes de realizar duas mil missões anuais de rastreio e interceptação de aviões em qualquer parte da América Latina.

O que ameaça a independência e soberania dos sul-americanos, as Farc ou os Estados Unidos? Quem você apontaria como terrorista internacional, Saddam Hussein ou George W Bush? Estas questões estão por trás da onda de denúncias surgida a partir do ataque ao posto avançado das Farc no Equador, em que os guerrilheiros vestiam pijamas e foram alvejados pelas costas.

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11

de
março

Miniguerrilheiros

A ONG Human Rights Watch, que como diz o nome é uma organização preocupada com os direitos humanos, estima em 10 a 20% do total os soldados mirins das Farcs na Colômbia. Somam 3.500 crianças entre 10 e 14 anos, tirados do convívio familiar sob o pretexto de auxílio às próprias famílias, o que nem sempre acontece. A História se repete, desde tempos imemoriais e lugares os mais diversos. A igreja cristã trabalha com dificuldade para mudar este cenário, informa o site www.portasabertas.org.br. Vale a pena conferir.

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7

de
março

Cachorrada

O primeiro é brasileiro.

 

Na média, oito brasileiros são deportados a cada dia do aeroporto de Madri, sem direito a explicação nem compensação. Os espanhóis dizem cumprir a legislação adotada pela União Européia há vários anos e posta em prática a partir de setembro do ano passado. Até aí, tudo bem. O problema é que mandam de volta estudantes e professores brasileiros convidados ou inscritos para congressos acadêmicos em Lisboa e outras capitais do velho continente. A pelo um deles, que reclamou do tratamento canino dispensado ao grupo detido, um policial espanhol retrucou: “Mas vocês são cachorros”.

Uma cachorrada, sem dúvida. Se os brasileiros detidos são cachorros, os policiais do aeroporto também são, pitbulls e rotweillers de dentes expostos à chegada de qualquer latino no seu canil, sobretudo brasileiros, e ainda mais brasileiras jovens, como as que sobram no mercado das garotas de programa em toda a Europa. Como cães sem raciocínio, os policiais do aeroporto de Madri se atiram sobre nós empregando critérios tão vagos quanto obscuros. Acrescentam às exigências de passagem de ida e volta, comprovante de hospedagem, dinheiro suficiente e motivo da viagem um novo item: a nacionalidade do viajante.

Se o cidadão for norte-americano, boas-vindas, ar condicionado e, quem sabe, um xerez enquanto aguarda a liberação da bagagem. Pode ser grande traficante de cocaína, contrabandista de armas para a África, dono de rede de prostituição na própria Espanha. Se for brasileiro, ainda que estudante, mestre ou doutor a caminho de um encontro científico, soltam-lhe os cachorros em cima e o submetem a infindáveis humilhações. Nesta simples diferença, a da nacionalidade, se esconde o princípio da discriminação.

Mas ela se torna patente, óbvia e evidente, porque sua manifestação está a cargo de policiais de aeroporto. Repare que não são diplomatas com frases de efeito e explicações dúbias os responsáveis pela deportação dos brasileiros. Muitos até apreciam as qualidades dos serviços oferecidos pelos nossos nas boates e calçadas de toda a Europa. São policiais de cultura rasa, letras poucas e menos luzes ainda os servidores do Estado obrigados a sujar as mãos com o trabalho da deportação.

Por isso, por ignorância das nuances sociais, adotam o critério dito “aleatório” para impedir o acesso de brasileiros ao seu país e mesmo aos demais países da dita União Européia. E como os brasileiros formam o maior contingente de emigrantes legais e ilegais para o continente, em razão até de serem do maior e mais populoso país desta parte do mundo, tem-se que chegam a oito deportados por dia.

Agora, o Ministério das Relações Exteriores do ministro Celso Amorim determinou a retaliação, e oito espanhóis foram mandados de volta do aeroporto de Salvador por não cumprir algumas das exigências a que são submetidos os brasileiros em sua terra. Não declararam onde se hospedariam nem quanto dinheiro tinham. Três eram agentes de viagem, o que na pior das hipóteses levanta a suspeita de envolvimento com o turismo sexual, e se os policiais federais em serviço no aeroporto julgassem assim, o trio mereceria as mesmas atenções dispensadas aos nossos na capital espanhola.

Cachorrada por cachorrada, a retaliação brasileira à soberba diplomática e à truculência policial dos espanhóis pode se encarada também como a primeira e tardia resposta ao rei Juan Carlos, que atravessou o Atlântico para mandar um presidente sul-americano calar a boca, porque não concordava com o que ele dizia.

4

de
março

Verão/outono

 

A disposição do presidente Hugo Chávez para o confronto não é medida apenas por palavras duras e ameaças contundentes. De prontidão na fronteira com a Colômbia, o soldado mais parece modelo de "griffe" de fardas e botas do que alguém prestes a atacar o inimigo. A propaganda tem sido um dos pontos explorados com mais sucesso por Chávez.

1

de
março

Cultura e política

 

Marco Aurélio, um dos 12 césares, foi imperador em Roma de 161 a 180 da era cristã. Seu homônimo contemporâneo preside o Tribunal Superior Eleitoral e de vez em quando dá uma de imperador, como nas declarações sobre a inconveniência de o Executivo lançar programas sociais em ano eleitoral, a propósito do recente “Territórios da Cidadania”. Lula respondeu na bucha com o argumento de que ministro de tribunal superior deve cuidar dos assuntos do Judiciário e deixar o Executivo em paz. Se quiser se meter em política, candidate-se e se eleja a um cargo no Legislativo.

O ministro não gostou, claro. Ele é do tipo que tem opinião formada sobre tudo, ao contrário da metamorfose ambulante instalada no quarto andar do Planalto. Também contrariamente a Lula, é um tipo instruído e culto, de linguajar refinado, capaz de expressões como “enquanto eu tiver a toga sobre os ombros”, ao passo que o presidente da República sempre esteve do lado oposto ao da bancada do juiz, nem sempre como inocente, é bom registrar. E sua expressão mais elaborada é “Nunca antes nesse país”.

Marco Aurélio Melo chegou à corte suprema pelas mãos do primo Fernando Collor de Melo, então presidente. Seu benfeitor também é homem de cultura e instrução acima da média, e certa vez chegou a responder em francês ao repórter em entrevista coletiva internacional, para estupefação geral da imprensa tapuia.

Logo mais, como gostam de escrever os diplomatas, Fernando Henrique Cardoso cometeria deselegância idêntica, discursando em francês para o então presidente Jacques Chirac, na inauguração do caminho rodoviário entre o Amapá e a Guiana francesa. Foi uma demonstração inolvidável não só para o governador anfitrião João Capiberibe, homem igualmente letrado e culto, mas para o minguado povo amapaense de pé diante do palanque onde também estava José Sarney, outro beletrista que também transita com facilidade pelo idioma de Balzac.

Esta sucessão de lembranças extemporâneas deve servir exclusivamente para comprovar a submissão da intelectualidade tupiniquim colonizada à cultura européia que julga superior e ante a qual dobra a espinha sem pejo e até com alguma singeleza caricatural. Sempre foi assim na história brasileira, os poderosos cevados na mais genuína elite escravagista se orgulham de ser recebidos em festivos salões do primeiro mundo e nutrem indisfarçável asco pelo conterrâneo, seja ele de São Paulo ou do Maranhão.

Não é de estranhar, portanto, a manifestação do ministro Marco Aurélio. Ele apenas repercute o pensamento anacrônico que sustenta a pior distribuição de renda do planeta, em pleno século 21. De fato, reações desse tipo refletem a preocupação das elites com os rumos enveredados de cinco anos para cá. “A continuarem esses programas a favor do povo, onde é que vamos parar?” devem estar perguntando-se, em francês, “évident”.

 

Marco Aurélio, com "a toga sobre os ombros".

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