Visão Crítica

Política, economia, cultura e cotidiano por LUIZ AUGUSTO GOLLO

4

de
abril

Caravana da Anistia

O ministério da Justiça, a Associação Brasileira de Imprensa e a União Nacional dos Estudantes lançaram sexta-feira, dia 4, a Caravana da Anistia, que percorrerá o país resgatando a cidadania de muitas pessoas perseguidas durante os 20 anos de ditadura, contribuindo, assim, para a consolidação da democracia no país. Como bem definiu o ministro Tarso Genro na cerimônia na sede da ABI, no centro carioca, a anistia é o que falta, depois das eleições livres e da Constituição de 1988, para o Brasil assumir e saldar a dívida histórica com a geração de perseguidos, exilados, presos, torturados, mortos, desaparecidos e seus familiares, entre 1964 e 1985.

O termo “dívida” não comporta apenas a indenização econômica do Estado aos anistiados, mas sobretudo a dívida histórica, o reconhecimento de que anistia não é esquecimento nem perdão, não quer dizer que passamos a borracha nos crimes cometidos pelo Estado contra milhares e milhares de cidadãos e cidadãs, em nome do regime de exceção. Anistia é amadurecimento, é a admissão de responsabilidade e a reparação existencial das vítimas e de suas famílias. Essas pessoas, muitas das quais aguardam há décadas o reconhecimento do Estado, devem e irão andar de cabeça erguida na sociedade, com sua dignidade e sua cidadania resgatadas, finalmente.

O dinheiro, essa excrescência em nome da qual se cometem todos os pecados, não é recompensa pelo que os anistiados sofreram, física e psicologicamente, nos anos de repressão política: é a tradução possível dos danos e prejuízos materiais causados pelo obscurantismo. Não representa, ao contrário do que O Globo estampou na primeira página do próprio dia do lançamento da caravana de “bolsa-ditadura”. Aliás, se existiu algo digno desse nome foi durante da ditadura e beneficiou precisamente órgãos de comunicação como O Globo.

A Caravana da Anistia precisa ser saudada como passo significativo na conquista de cidadania, em especial nos rincões mais longínquos, onde ainda se prende, tortura e mata gente sem qualquer possibilidade de defesa. Estão de parabéns o ministro Tarso Genro, o presidente da Comissão de Anistia de seu ministério, Paulo Abrão, o colega Maurício Azêdo, à frente da ABI, e a jovem promissora presidente da UNE, Lúcia Stumpf. Bem sucedida a iniciativa, “os jornais terão vergonha de chamar a anistia de bolsa-ditadura”, como afirmou o ministro em seu discurso.

Arquivado em: Cultura, Política I

1 Comentário »

  1. Comentário por José Gil Barbosa Júnior — 5 05UTC abril 05UTC 2008 (9:41)

    Meu amigo, onde estás? Nunca mais tive notícias. O que houve? Será que há possibilidade de contatá-lo por aqui? Aguardo notícias.

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