7
de
maio
Retaguarda do atraso
A ministra deu uma lição no senador.
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O senador José Agripino Maia tinha a obrigação de saber e sua ignorância forjada propiciou um momento de emoção no depoimento da ministra Dilma Rousseff no Senado, na quarta-feira passada. Lídimo representante da elite potiguar, nordestina e brasileira, ele lembrou a declaração da ministra de que mentiu muito durante os anos 1960/70. Seu propósito óbvio era desqualificar as palavras de Dilma, partindo do pressuposto de que cesteiro que faz um cesto, faz um cento, e que se ela mentiu no passado pode muito bem fazê-lo hoje.
Dilma mentiu no pau-de-arara, debaixo de choques, para livrar companheiros de luta do martírio pelo qual passava, o que conseguiu. Disse isso, quase com as mesmas palavras, a um José Agripino Maia com cara de paisagem. Foi aplaudida na sala da comissão e ainda frisou que estiveram em lados opostos durante a ditadura militar, ou seja, enquanto seu grupo empreendia luta armada contra a ditadura, ele era um dos seus diletos filhotes. Assim como Fernando Collor, exemplo-mor da espécie.
Agripino foi nomeado prefeito de Natal pela ditadura em 1979. Todas as capitais, mais os municípios de fronteira e outros estratégicos (como Volta Redonda) eram “área de segurança nacional”, e só voltariam a eleger seus prefeitos em 1985, na chamada Nova República de Tancredo, que acabou no PFL de Sarney, logo rotulado de “vanguarda do atraso” pelo ministro da Justiça Fernando Lyra, de passagem meteórica pelo governo.
Em 1982, nas primeiras eleições diretas para governador depois de 1965, o PDS emplacou José Agripino nas urnas do Rio Grande do Norte. Dois anos depois, pressentindo o fim do ciclo militar, ele se rebelou e engrossou a eleição de Tancredo Neves no colégio eleitoral – designação de ocasião para um Congresso que legitimou a exceção elegendo todos os generais desde o golpe de 64. A redemocratização, palavra de ordem de então, começava na nomenclatura, na maquiagem.
José Agripino se elegeu senador em 1987 e voltou ao governo do seu estado em 1990, para voltar ao Senado em 1994. Ali, como sabemos, o equilíbrio de forças favorece o conservadorismo, a partir da bancada do Norte/Nordeste. José Agripino é o tipo de político profissional, patrimonialista por princípio familiar, daquele que compra voto e intimida opositor com rara desenvoltura. Tem mão macia de contar dinheiro e é devoto de Santo Antônio Carlos Magalhães.
Este tipo de político é capaz das vilanias como a que cometeu no depoimento de Dilma no Senado, diz que não houve ditadura alguma no país e ainda acusa os guerrilheiros de terem torturado e matado militares à queima-roupa. O pior de tudo é que essa gente se perpetua nas instituições das quais se assenhorearam desde a vinda de D. João VI para cá, 200 anos atrás.

