10
de
outubro
Segundo turno
Lula cancelou na véspera a presença em evento da campanha petista para a prefeitura paulistana, sob alegação formal de antecipação da viagem ao exterior. Informalmente, o Planalto avalia que Marta já perdeu para Gilberto Kassab e o presidente sofreria desgaste desnecessário. Na linha da formalidade, Dilma Rousseff lembra que eleição se ganha na apuração dos votos e se refere, sem menciona, à foto de Fernando Henrique na cadeira de prefeito dias antes da eleição na mesma São Paulo, na década de 80, quando perdeu para Jânio Quadros.
Lembrando: todas as pesquisas apontavam Fernando Henrique vitorioso, até com folga, e ele aceitou posar para a foto de capa da Veja que circularia no domingo da eleição. O acerto previa a publicação somente depois de iniciada a apuração, mas a foto vazou para os jornais na sexta-feira, saiu nas primeiras páginas de sábado e Fernando Henrique perdeu no domingo. O primeiro gesto de Jânio prefeito foi desinfetar a cadeira com detergente, diante da imprensa. Desconhecendo os detalhes da história, o eleitor considerou soberba de Fernando Henrique, o que não correspondia à verdade, embora ele tenha a humildade de um pavão.
Hoje, com internet, câmeras digitais e toda a parafernália tecnológica à disposição, ninguém é besta de cantar vitória antes da hora, menos ainda de deixar-se fotografar como Fernando Henrique naquele tempo. Marta Suplicy esteve à frente em todas as pesquisas, com boa margem de vantagem sobre os segundos colocados Kassab e Alckmin, mas acabou em segundo na hora da verdade. E o prefeito está praticamente reeleito, se não fizer alguma bobagem monumental no segundo turno.
Em Belo Horizonte, a comunista Jô Morais saiu na frente, virou fenômeno e perdeu toda a vantagem quando começou o horário eleitoral na tevê. Márcio Lacerda, desconhecido socialista apoiado por Aécio Neves e o prefeito petista Fernando Pimentel, disparou e só não levou no primeiro turno porque o eleitor não é besta e impôs Leonardo Quintão, do PMDB, à soberba do governador. Aécio aprendeu que não se elege um poste nos dias atuais e corre o risco de perder a prefeitura e comprometer seu sonho maior, o de ser candidato tucano à presidência daqui a dois anos.
No Rio, Marcelo Crivela acabou debaixo do Cimento Social que um tenente desprovido da mínima noção de humanidade detonou ao entregar três rapazes do morro da Providência a traficantes rivais do morro da Mineira, para serem torturados e executados (a propósito, circula um e-mail por aí dizendo que os três eram bandidos, como se isso pudesse justificar a atitude do militar). Bem no estilo baiano que elegeu Jaques Wagner há dois anos, o eleitor carioca puxou o tapete do Crivela e forçou o segundo turno com Fernando Gabeira contra Eduardo Paes. Estou no Rio e constato a impossibilidade de qualquer previsão de vitória de qualquer dos dois candidatos no páreo. Bela eleição.
Por falar em Rio, depois de uma semana de chuva e frio, o sol voltou e o hotel na Atlântica se encheu de rapazes sarados e saltitantes em duplas ou em grupos alegres e ansiosos pela parada gay que acontecerá domingo aqui mesmo em Copacabana, a princesinha do mar. A praia continua linda, o carioca em geral ainda é amável, bem humorado e sobretudo educado e a cidade sempre maravilhosa, a despeito da viadagem que assola a zona sul neste fim de semana.

