6
de
novembro
Obama é o cara!
Não tem saída: o assunto é Obama. Quilômetros de papel seriam necessários para imprimir todos os artigos veiculados nos últimos dias sobre ele. O mundo inteiro, na verdade, tenta digerir a novidade. Em Nairóbi, pessoas tomaram as ruas em comemoração à eleição do outro lado do mundo, em outro continente. Só porque o pai de Obama era nigeriano. Num discurso vitorioso, ele se referiu aos “jovens e idosos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, asiáticos, índios, gays, heterossexuais, deficientes e não-deficientes”. Vai ser difícil manter por muito tempo arco social tão dessemelhante, mas por enquanto tudo é festa.
Há um componente essencial no êxito de Barack Obama: a incompetência de George W. Bush nas duas gestões. Mas nos Estados Unidos, isso não vem ao caso, as pessoas não ligam muito para governo, estão mais preocupadas com o dia a dia, em ganhar a vida com seu trabalho. Tanto que eleição lá cai na terça-feira, nem é feriado e nem é preciso votar. Só vota quem se cadastrou e ter menos de 160 milhões de eleitores cadastrados é uma vergonha para a maior democracia do mundo. Mas o que mais se destaca na eleição de Obama é o fato de ser o primeiro negro a presidir a nação onde até meio século atrás a segregação racial era legal.
Cá pra nós, que nascemos numa clima quente e por isso somos morenos demais, Obama nem é preto: é mulato, porque filho de negro com branca. Tirando a Kelly Cristina, filha do Pelé com a Rose, que na certidão de nascimento é branca, nunca vi mestiçagem não misturar. No Brasil e também em Portugal as gentes entendem muito bem meu ponto de vista, pois se não inventamos com certeza enchemos o mundo de mulatos e mulatas. Somos adeptos históricos da miscigenação, daí eu dizer com autoridade que Obama é mulato e baiano de Salvador, porque é advogado com diploma e anel. Como estamos fartos de saber, a Bahia é a terra do preto doutor, pois não?
A campanha de Obama galvanizou pessoas ao redor do planeta. Um carioca chegou a enviar humildes 25 dólares para o comitê, que devolveu sensibilizado porque a lei não permite doação do exterior. Numa demonstração de coerência do doador, a grana foi para a campanha do Gabeira, que não é advogado, nem negro nem americano, mas precisava dela.
Obama é um Martin Luther King Jr que passou por um “aggiornamento”, embora pouco tenha a ver com a luta dos negros na sociedade norte-americana. É uma exceção sob todos os aspectos, da ascendência ao status social. É mais um produto do delicado momento por que passam os EUA do que qualquer outra coisa. Já fazem comparação entre sua mulher, Michelle, e Jackie Kennedy, ou Onassis, “née” Bouvier, pela elegância no vestir-se e se comportar. E se o marido da Jackie foi morto em circunstâncias jamais devidamente esclarecidas, imagino como deve ser a segurança de Obama e família e mais ainda como será daqui por diante.
Importante não é a cor do homem, porque já sabemos que não existe raça além da humana. Interessa o que fará relativamente ao Iraque, aos americanos que estão lá, ao Afeganistão e aos americanos que também lá estão, ao Irã e à Coréia do Norte, às relações com “nosotros” latino-americanos, ao boicote comercial abjeto contra o povo cubano, às desigualdades sociais internas dos Estados Unidos. É isso que eu quero saber. Eu e a torcida do Flamengo, diga-se de passagem. O resto é oba-oba.


Comentário por Rômulo Araujo — 9 09UTC novembro 09UTC 2008 (22:40)
Olá sou novo por aqui nos comentários, mas depois desse artigo vim para ficar.
Concreto, incisivo e direto, podemos definir esse artigo cujo autor revela com bastante clareza que o fator primordial para o triunfo de Obama, nas eleições estadunidenses, não foi etnia, e sim, a nova visão política.
Esse novo marco na historia nos remete a analisar que assim como ciência possui duas correntes filosóficas, ciência normal e revolucionaria, a política regenera uma corrente arcaica e mesmo tempo inovadora, a política revolucionaria.
Não podemos classificar Barack Hussein Obama Jr. como revolucionário e nem tão pouco como mulato (termo racista, usado no período colonial, fazendo comparação entre escravos e mulas) e sim como uma pessoa competente, capaz, eficaz e que a aflora o sentimento mais nobre e alegre dos homens, a esperança.
O primeiro ato para mudança é a revolução, a historia nos diz e Obama irá provar.
Tenho um sonho que um dia o Brasil possa dar esse passo tão importante, mas com tantos mulatos, está mais que na hora de surgir um líder, seja negro ou branco, mas que seja líder.
Perdoe pela falta de conhecimento no assunto e péssima habilidade com as letras, sou mais fruto do sistema que tenta absorver e analisar as informações que vem a tona.