Visão Crítica

Política, economia, cultura e cotidiano por LUIZ AUGUSTO GOLLO

14

de
novembro

Sarah e Dilma

 Bento 16 recebeu Jacinta, Lúcia e Francisco, na versão eleitoral brasileira.

 

Não entendi por que a implicância geral com a candidata a vice Sarah Palin, para quem a África era um país e não um dos cinco continentes. Eu sempre achei que Alasca fosse uma galeria em Copacabana, de má fama na minha juventude. Nem imaginava que tivesse governador e que, ainda por cima, fosse mulher e xará da mãe de Isaac. Nos meus escassos conhecimentos de NatGeo e Discovery Channel, o Alasca é um pedaço grande de gelo localizado no ponto mais próximo entre a América e a Ásia e justamente por esta razão os Estados Unidos o compraram, para manter os russos do outro lado. A Wikipedia registra que essa compra é muito mais antiga do que o comunismo e a Guerra Fria:

“O Alasca foi comprado ao Império Russo em 1867, graças à insistência do então Secretário de Estado americano William Henry Seward, por 7,2 milhões de dólares. À época, Seward foi criticado por outros políticos e ridicularizado pela maioria dos americanos pela sua decisão, uma vez que boa parte da população acreditava então que o Alasca não passava de uma região coberta de gelo imprestável e que só servia para morada de ursos. Porém, descobertas de grandes reservas de recursos naturais desde então atraíram milhares de pessoas à região. Em 1959, o território do Alasca foi elevado à categoria de Estado, tornando-se o 49º Estado americano”.

Tirante o vencedor das eleições, Sarah foi o grande destaque da campanha eleitoral norte-americana, pelo exotismo da sua escolha e por declarações dela à mídia, das quais a relativa à África representou o clímax. David Letterman, que destila veneno fino no seu “Late Show”, diz que, passadas as eleições, John McCain voltou a cuidar do seu armário de remédios, ao que eu acrescentaria que a governadora alasqueira (alguém na platéia conhece o gentílico correto?) se dedica agora a arrumar o guarda-roupa com os modelitos que sobraram da campanha. Enfim, cada qual toma conta do que lhe é mais importante.

No Brasil, por exemplo, onde a forma prevalece cada dia mais sobre o conteúdo, conforme atestam incontáveis academias de fisiculturismo e igual constelação de clínicas de cirurgia estética, a política também é guiada pelas aparências. Mas ostentamos ainda outra característica, o temor do sobrenatural, seja nas religiões tradicionais, seja num culto africano ou numa simples consulta de tarô e búzios. Não foi por outra razão que Lula levou Dilma Rousseff ao papa, na última quinta-feira. Senão para buscar a aprovação do Altíssimo à sua candidatura presidencial, ao menos para mostrar ao eleitor quão católica e pia se tornou a antiga guerrilheira.

A imagem de Lula, Marisa Letícia e Dilma, de preto, olhar de beatitude exemplar, maquiagem discreta e véu sobre as pecadoras sugere mais do que gesto de pré-campanha: parece que Bento 16 recebeu a visita serôdia das três crianças de Fátima. Espera-se que Dilma Rousseff tenha destino diverso de Sarah Palin, a americana que não entrou numa fria porque já vive na geladeira.

Arquivado em: Política I

1 Comentário »

  1. Comentário por lúcio — 17 17UTC novembro 17UTC 2008 (10:04)

    como sempre, meu amigo Gollo desfila seu talento com enorme desenvoltura.
    Ainda bem que o desfile não é na galeria alasca…

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