26
de
março
Mania de grandeza
A série de reportagens no Globo assinadas por Bernardo Mello Franco e Evandro Éboli sobre as atas das reuniões do Conselho de Segurança Nacional depois do golpe militar de 1964 é uma das melhores coisas que se leem nos jornais do dia. Hoje mesmo, sob o título "Ditadura brasileira queria desestabilizar Fidel", a dupla de repórteres da sucursal brasiliense do jornal informa que na reunião do conselho menos de um mês depois do golpe, a primeira dos militares no poder e cuja pauta principal era o rompimento de relações diplomáticas com Cuba, o chanceler Vasco Leitão da Cunha, velho reaça, saiu-se com essa:
"O governo brasileiro tem razões de sobra para romper sem mais delongas com o governo de Havana. Do ponto de vista político e psicológico, será um golpe extremamente forte no moral do atual governo de Cuba. O Brasil dará a outros países do mundo a advertência de que não tolerará interferência nem ação comunista em seu território e não pactuará com o comunismo no hemisfério".
O tom geral na reunião foi o mesmo, até porque todos os outros membros do Conselho de Segurança Nacional eram milicos, e a preocupação geral era com a crise dos mísseis soviéticos em Cuba. Mas a contundência do chanceler dá a dimensão da megalomania que dominaria o regime daí em diante.

