Visão Crítica

Política, economia, cultura e cotidiano por LUIZ AUGUSTO GOLLO

26

de
junho

“Podem sair”

 

Tirado do cartunistasolda.blogspot.com

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25

de
junho

Vê se me erra!

INSISTENTES BOATOS CIRCULARAM HOJE EM

BRASÍLIA DANDO CONTA DA MORTE POLÍTICA DE

JOSÉ SARNEY. NO FIM DA TARDE, O PRÓPRIO

SENADOR VEIO A PÚBLICO E ESCLARECEU:

"CALMA AÍ, BRASILEIROS E BRASILEIRAS, A MORTE

NÃO É MINHA: É DO MICHAEL JACKSON".  

 

23

de
junho

Quosque tandem?

Barack Obama voltou a falar de Lula. Foi na coletiva sobre a radicalização do quadro político iraniano, mas ele escapou pela direita e tratou da crise econômica mundial lembrando que "o presidente Lula é um homem de esquerda, mas se dá bem com todos os presidentes da América do Sul". Numa boa, acrescento daqui do meu canto, porque nos dias que correm Lula só pode ser considerado de esquerda por um colega norte-americano.

21

de
junho

Augusto dos Anjos

Versos Íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

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21

de
junho

Espaço livre garantido

A assinatura do termo de concessão por 20 anos do Parque Lage, situado dentro do Parque Nacional da Tijuca, no bairro carioca do Jardim Botânico, ao governo do estado, no último sábado, reuniu o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e as secretárias estaduais de Cultura, Adriana Rattes, e do ambiente, Marilene Ramos, num ato revestido de solenidade e com forte conteúdo emocional. Ali funciona a Escola de Artes Visuais do governo fluminense, criada em 1975 como espaço de criação, reflexão e protesto contra a ditadura militar, em seu período mais duro para a cultura e as artes.

 
“Esta concessão simboliza a união a cultura com a ecologia”, disse Minc, aplaudido pelas secretárias e pelas dezenas de pessoas ao redor da piscina de pedra celebrizada pela cena da imensa feijoada no filme “Macunaíma”, de Joaquim Pedro de Andrade. O clima era de descontração e sorrisos, “coroando uma luta de um ano e meio contra a burocracia de Brasília”, nas palavras do ministro. Desde sua posse no ministério, há um ano, Minc defendia a concessão do Parque Lage para a EAV, esbarrando em obstáculos da Secretaria de Patrimônio da União, do Ministério do Planejamento.
 
“Depois de muita conversa com o (ministro do Planejamento) Paulo Bernardo, prevaleceu o entendimento de que a SPU cuida do patrimônio; não da gestão. Assim, esse espaço de cultura, de convívio, de fantasia e loucura, continuará nas mãos da Escola de Artes Visuais pelos próximos 20 anos, prorrogáveis por mais 20 e mais 20, ‘forever’, dentro da Floresta da Tijuca, que é responsabilidade do Instituto Chico Mendes”. O ministro discursou em tom emocionado, refletindo o estado de espírito da maioria dos presentes.
 
Na noite da sexta-feira, véspera da assinatura do termo de concessão, alunos da escola e artistas participaram de uma performance ao redor da piscina, lembrando exatamente a filmagem de “Macunaíma”, em meados da década de 70. Foi também inaugurada a exposição “O Jardim da Oposição”, com fotos da época da luta libertária contra a censura e a opressão da ditadura, depoimentos gravados em vídeo por protagonistas e participantes daquela luta e impressos variados que circulavam entre os jovens da Escola de Artes Visuais, dirigida por seu idealizador, o artista plástico Rubens Gerchman. A exposição está aberta até 30 de agosto.
 
A escola de Artes Visuais ocupa o palacete onde viveu a cantora lírica Besanzoni Lage, uma construção sólida erguida em pedra no meio do parque que leva seu nome, aos pés do morro do Corcovado e do Cristo Redentor. Durante os chamados “anos de chumbo” ali se apresentaram sem censura Caetano Veloso, Jards Macalé, Luis Melodia e um dos mais freqüentes, o violinista Jorge Matuner. A escola também foi palco dos concertos de música dodecafônica de Joaquim Koellreuter e ainda sede do Instituto Freudiano do Brasil e do jornal “Lampião da Esquina”, fundado pelo novelista Aguinaldo Silva e
primeira publicação homossexual a se firmar no universo da imprensa alternativa,
 
Com o termo de cessão erguido na mão, o ministro Celso Minc encerrou o discurso de maneira apoteótica, arrancando novos e insistentes aplausos: “Este espaçço da Escola de Artes Visuais está disponível, em caráter oficial, a promover peças de teatro, exibição de filmes, fazer lançamento de livros, exposições, apresentações artísticas e musicais, leilões beneficentes – é para a escola fazer e acontecer. É proibido proibir!’"

17

de
junho

Autobiografia

 

Nani, com a habitual agudeza, pega bem o espírito da coisa.

Charge roubada do cartunistasolda.blogspot.com.br.

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12

de
junho

Salvando o casamento

Deixo de lado a agenda dos acontecimentos da semana, de resto uma sucessão de tragédias e dramas pessoais ou sociais e políticos, para distrair a meia dúzia de leitores cativos com uma historinha de casamento. Preocupada com a monotonia imposta pela rotina de oito anos de casada, a esposa procurou alguma fórmula capaz de manter acesa a chama do desejo e do ardor entre ela e o marido, tipo tranquilão e meio desligado quanto a essas preocupações da cara-metade. Fuça daqui e dali, ela encontrou um quase manual na internet, no original em inglês, pois era caso norte-americano, e decidiu pô-lo em prática:

 
“Meu bem”, começou a abordagem, voz aveludada, depois do jantar, “sabe que eu li um texto muito interessante sobre o casamento esta tarde e…”
 
“Leu o que, meu anjo?” ele interrompeu sem a menor elegância. Ela fez que não notou e seguiu em frente:
 
“Li um texto na internet sobre a rotina nos casamentos (Fez uma pausa plena de significados). Você sabia que a monotonia, a rotina, a falta de novidade, tudo isso é a principal causa do fim dos casamentos?”
 
“Sim…E daí?” tornou ele, impaciente.
 
“Daí que eu pensei que nós podíamos fazer umas coisas para, sei lá, animar nosso casamento”.
 
“Que coisas, Marion?” – ela sabia que quando a tratava assim a coisa era séria, porque ela odiava o próprio nome, desde o jardim de infância.
 
“Bem, Ernesto”, ela rebateu, na mesma moeda, “só para variar nós podíamos brincar de cachorro e gato…ou melhor, gata, como eu li”.
 
“Como é isso?” ele se interessou de verdade.
 
“A gente fica de quatro pela casa, você é o cachorro e eu a gata e você me persegue até a gente se cansar…”
 
“E aí?” ele perguntou, com óbvia má vontade.
 
“Como e aí? Aí acontece, ora!” Ela se irritou, mas imediatamente recuperou a calma e explicou com todas as letras o que aconteceria ao final da brincadeira.
 
Naquela noite os dois engatinharam entre móveis e cortinas, pelados, ele fingindo o cão, ela a gata, até a brincadeira terminar na cama, onde, bufando como um touro, ele lhe disse que tinha sido a coisa mais sem graça no casamento deles, até porque “cachorro não come gato, nem gata”.
 
Dias depois, ela voltou à carga com outra idéia tirada do mesmo texto. Transariam de olhos fechados, ele imaginando que ela era outra e ela imaginando que ele era outro. Não deu certo, é claro, nem com a luz apagada. No meio da coisa, ele parou:
 
“Peraí!”
 
“Ah, não, meu amor…”
 
“Ah, sim. Se você é outra mulher, que eu não sei quem é porque não quero ir pra cama com ninguém além de você mesma, quem será o homem que você está imaginando que eu sou? Não tem graça nenhuma, é melhor você procurar por ele logo de uma vez”.
 
Passaram dias quase sem se falar, até que no sábado ela não resistiu:
 
“Mô, a gente podia fingir outra coisa, sem complicar”.
 
“Você não desiste, né?” definitivamente ele estava de saco cheio e, para falar a verdade, aquela conversa de rotina e monotonia começara a fazer sentido para ele na noite do cachorro doido. Mas até que a nova idéia era melhorzinha, pelo menos não era dentro de casa. Os dois se encontrariam num “single bar” no centro da cidade, naquele sábado mesmo. Ele chegaria às três e ocuparia uma mesa. Ela chegaria às três e quinze, ocuparia outra mesa e começariam a flertar, como se não se conhecessem. Do flerte iriam para um motel e pronto: estava derrotada a rotina.
 
Ele entrou no bar de pequenas mesas redondas e sentou-se numa ao fundo. Pediu um uísque e só então notou a mulher sozinha em outra mesa, olhando-o com insistência. Sorriram um para o outro e em menos de um minuto estavam na mesma mesa. Às três e quinze, pontualmente, ela entrou no bar, olhou todas as mesas e reconheceu a camisa do marido. Ele e a outra riam como velhos amigos. Ela se aproximou desconcertada:
 
“Muito bonito, né? Foi isso que nós combinamos, foi?”
 
E ele, sem se levantar:
 
“Perdão, minha senhora, eu a conheço?”
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5

de
junho

Dia Mundial do Meio Ambiente

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5

de
junho

Herdeiros da tragédia

Ainda sob o impacto da perda pessoal irrecuperável, os familiares dos passageiros do acidente aéreo de domingo precisam encontrar ânimo e coragem para enfrentar o que vem depois do pior: o mais difícil. José Geraldo Tardin, presidente do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec), alerta para posturas essenciais neste momento traumático:

 
“Os parentes mais próximos, herdeiros e sucessores, não devem aceitar qualquer tipo de acordo proposto pela companhia aérea sem ouvir seu advogado. É comum apresentarem um termo de acordo, mas as circunstâncias exigem a análise por um profissional alheio ao choque emocional”, diz.
 
Para pleitear possíveis indenizações e dar andamento aos trâmites burocráticos, os familiares dos desaparecidos enfrentarão uma maratona exaustiva e pessoalmente desgastante, por isto o Ibedec recomenda que se unam e escolham um curador, ou responsável, por dar entrada e acompanhar o processo, sobretudo na Justiça, cuja morosidade é proverbial.
 
“Como não há corpos, não haverá certidão de óbito, substituída pela declaração judicial de morte presumida, sem o que não se abrem inventários, nem se recebem seguros ou pensões por morte. Enquanto não houver esta declaração é necessário que a Justiça nomeie o curador dos desaparecidos”.
 
José Geraldo Tardin acha melhor o grupo apresentar ao juiz um nome de fora, um advogado, ou gerente de banco de investimentos, ou mesmo empresário, que será remunerado. E adverte que este primeiro trâmite exige intervenção do Ministério Público e pode se arrastar por meses.
 
“Perante as companhias de seguros, as indenizações serão pagas depois de decretada a morte presumida do segurado. No INSS, para fazer jus à pensão por morte presumida, os pretendentes deverão apresentar boletim de ocorrência feito junto à autoridade policial, prova documental da presença no local da ocorrência e noticiário na mídia. Ainda assim, enquanto não finalizar o processo de morte presumida, a cada seis meses os beneficiários terão de fornecer a posição atualizada do processo à autoridade competente”, ele explica.
 
O presidente do Ibedec é de opinião que a decisão judicial deveria ser de ofício, ou seja, a morte presumida em casos como este seria declarada sem a formalização de um processo de longa tramitação, especialmente dolorosa para os herdeiros e sucessores das vítimas.
 
“Inclusive porque é preciso comunicar imediatamente aos bancos e instituições de crédito com as quais o desaparecido mantinha negócios, para suspender eventuais cobranças e saber se ele tinha poupança, conta remunerada, participação em carteira de investimentos, previdência privada, seguro de vida, tudo isso”.
 
O status social e o nível econômico dos passageiros do voo Rio-Paris, em geral, sugere que boa parte deles tivesse bens imóveis, participações acionárias em empresas e investimentos financeiros, na avaliação de José Geraldo Tardin. “No caso de um empresário, por exemplo, sócio de algum empreendimento, é preciso promover o distrato da sociedade, estabelecendo o valor da participação a que terão direito os herdeiros e que pode até ser amortizado ao longo do tempo, caso o resgate de uma só vez possa comprometer a sobrevivência da empresa”.
 
Uma vez obtida a declaração de morte presumida e aberto o inventário de bens, herdeiros e sucessores poderão habilitar-se a receber também indenizações por danos materiais e morais, com base no Código de Defesa do Consumidor, e não no Código Civil. Tardin detalha:
 
“Trata-se de uma relação de consumo, foi firmado um contrato de transporte com data, horário e local para iniciar e terminar. Como ele não foi cumprido, segundo o Código de Defesa do Consumidor o fornecedor responde, independentemente de culpa, por defeito no serviço prestado. Se a ação for baseada no Código Civil, será exigida prova de culpa para receber a indenização”.
 
Será também com base nas relações de consumo que o juiz estipulará o valor da indenização por danos materiais, considerando a idade da vítima, a expectativa de vida, a renda atual e a projeção da renda futura. No geral, o valor da indenização por dano moral se situa no mesmo patamar.
 
Fundado em Brasília em 2000 como centro de estudos acadêmicos na área de consumo, o Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (www.ibedec.org.br) ganhou novo perfil dois anos depois e desde então atua mais na defesa do consumidor. Tem quatro mil filiados em nível nacional, todos pessoas físicas, e defende cerca de 40 projetos de lei sobre relações de consumo em tramitação no Congresso Nacional.
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