13
de
agosto
Sobre bichas e sapatões
É perigoso, mas vou correr o risco e escrever sobre a censura aplicada à psicóloga Rosângela Rufino pelo Conselho Federal de Psicologia no último dia do mês passado pelo fato de ela oferecer tratamento a homossexuais cansados da vida dupla que levam e anseiam voltar ao seu sexo natural. Vida dupla sim, não acredito que gays assumidos, vivendo as relações afetivas que escolheram, procurem terapia para mudar. Pacientes da psicóloga devem ser pessoas insatisfeitas com seu comportamento, ou não estariam nem aí.
É curioso que o conselho tão zeloso neste caso não revele o mesmo empenho em relação aos “bispos” da telinha e suas promessas de curar depressão, ansiedade e até falta de dinheiro, que, esta sim, sabe-se não ser doença e, na realidade, nem opção pessoal, mas antes contingência da vida. São líderes religiosos ou psicólogos, afinal? O conselho parece mais preocupado com a orientação sexual do que com o charlatanismo descarado pela tevê.
Rosângela é evangélica, ou seja, minoria religiosa num mar de católicos da boca pra fora ou sinceros. Segue preceitos bíblicos, sabe que Deus abomina o pecado, mas ama o pecador, como atestam inúmeros exemplos no Novo Testamento. A terapia que ela proporciona não é eficaz para quem não a procura. Não força ninguém a nada, não convence ninguém de que deve ser macho ou fêmea. Mesmo assim, foi denunciada e punida.
Se Rosângela oferecesse terapia na mão inversa, “ajudando” indecisos a enveredar pelo mundo do homossexualismo, seria considerada psicóloga contemporânea, atenta aos novos tempos, daria entrevistas no rádio, na tevê, nas revistas, nos jornais. Daria palpite até sobre a queda da taxa de juros e a seleção do Dunga. Ganharia tanto dinheiro que até poderia comprar Neverland.
Mas não. Rosângela rema contra a maré e ainda diz que homossexualismo tem cura. Alguns “bispos” dizem a mesma coisa, mas não são psicólogos, o conselho não tem nada com isso. Sua psicologia é restrita ao mundo dos diplomados e aos ditames dos novos tempos. No fundo, acha que esse negócio de papai e mamãe já era, legal agora é papai e papai, mamãe e mamãe. Quem é contra é preconceituoso.
O movimento homossexual é mais e mais poderoso, promove dia de orgulho, elege cidades amigas, alimenta um novo turismo mundial, de renda dupla e sem filhos, ou no original “double income, no kids”. Homossexuais têm nichos próprios de consumo, lojas voltadas para eles, da alimentação ao vestuário, publicações específicas e são tão influentes que veem intransigência onde ainda não conseguem acesso.
O movimento homossexual internacional acusa, por exemplo, a igreja de ser intransigente ao não fazer casamentos entre pessoas do mesmo sexo, esquecido de que igreja é como clube, tem seus regulamentos e suas imposições. Aceita quem quer, quem não quiser funde o seu clube ou crie sua seita, seus ritos e sacramentos. Sem intransigência.
A psicóloga Rosângela é exemplar da intransigência homossexual. Se quer “ajudar” adolescentes a assumir outra sexualidade, tudo bem, senão, pra fogueira. É uma espécie de Inquisição moral que me faz lembrar a reflexão de um escritor espirituoso cujo nome não lembro agora, e que disse mais ou menos o seguinte:
“Quando eu era criança, homossexualismo era um dos maiores tabus morais da sociedade. Quando era jovem, veio a liberação sexual, as drogas, o questionamento dos tabus sociais, entre eles o homossexualismo. Tinha até um certo charme, um verniz intelectual. Agora que sou homem maduro, o homossexualismo virou moda, é aceito e até incentivado, há pais orgulhosos dos filhos homossexuais. Eu só espero morrer antes que se torne obrigatório”.

