28
de
agosto
A vol d’oiseau
O Ministério Público de São Paulo proibiu, ou quer proibir, crucifixos em repartições públicas sob a alegação de que o Estado é laico. Como assim, se a Câmara dos Deputados acaba de aprovar o acordo do governo com a chamada Santa Sé, tornando obrigatório o ensino de religião nos primeiros anos da educação pública formal? É absurdo, eu sei, mas qual deles é o maior? Pessoalmente, concordo com o Gilmar Mendes: “Espero que não tirem o Cristo do Corcovado, nem acabem com a Páscoa e o Natal”.
Quando o papa Bento 16 esteve entre nós, o presidente Lula fez questão de deixar bem claro que o Brasil é um país laico. Mas quando foi a Roma, assinou um acordo abrindo o ensino laico às aulas de religião. Na volta, mandou para a Câmara, que discutiu muito, mas aprovou, junto com uma lei geral das religiões. Quer dizer que além da catequese católica as crianças poderão aprender passes de umbanda, fundamentos do espiritismo e o que mais se apresentar como aula de religião.
E o Supremo inocentou o Palocci da quebra do sigilo bancário do jardineiro Francenildo, lembra dele? Refresque a memória nos sites da imprensa, ele foi o único dos implicados presente à sessão. Alguém argumentou que está na cara a autoria intelectual do crime, mas os ministros, como bons advogados, creem que “o que não está nos autos não está no mundo”. Sobrou para o ex-presidente da Caixa Econômica, Jorge Mattoso, indicação da Marta Suplicy, ex-preso político e pelo visto aético à toda prova. Já se diz até que Palocci pode tomar o lugar da Dilma na candidatura a presidente. “Cê pena que num podi piorá? Piora!”, dizia uma amiga mineira jornalista.
E a Dilma, hein? Circula na net um e-mail advertindo para não abrir de jeito nenhum uma mensagem com fotos de Dilma nua…pode ser verdade. Agora, falando sério, é séria essa história do pedido dela a Lina Vieira para apressar a investigação sobre Fernando Sarney? É séria a versão dos 30 dias das imagens no sistema de segurança da sede do governo? É séria alguma coisa que se diga sobre o caso pelo pessoal do governo? Verdade verdadeira, vejo mais seriedade no Mercadante – antes da conversa com o Lula, claro.
E as criancinhas de Orlândia? Conhece Orlândia? Nem eu. Duas crianças de dois anos de idade foram flagradas pela funcionária de uma creche pública brincando com dois pacotinhos de cocaína. A diretora chamou a polícia e recomeçou a discussão sobre a redução da maioridade penal, porque, protegidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, os minimeliantes pegariam no máximo três anos e voltariam ao crime com apenas cinco aninhos. Nome da creche? “Boca pequena”.
E o José Saramago? O jornal diz que “Depois de padecer de uma grave enfermidade respiratória que quase lhe custou a vida, ele lança seu novo romance, Caim, em que redime o personagem bíblico do assassinato do irmão Abel e credita a Deus a autoria intelectual do crime, ao depreciar o sacrifício que Caim Lhe havia oferecido”. O gajo é bestial! É seu também “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, em que igualmente exerce à vontade seu ateísmo virulento. O que consola é que não falta muito para ele se explicar.
E o Michael Jackson, hein? A polícia chegou à conclusão de que foi assassinado por uma dose letal do analgésico Propofol, aliada a midazolam, diazepan, lidocaína e efedrina, de acordo com a autópsia agora divulgada. Que droga de vida!

