Visão Crítica

Política, economia, cultura e cotidiano por LUIZ AUGUSTO GOLLO

8

de
setembro

Vão se lascar!

Quero reafirmar aqui que este blog é contra os senadores Eduardo Azeredo, Marco Maciel e o deputado Flávio Dinossauro, pelas bobagens que fazem. São a verdadeira vanguarda do atraso, com todo o respeito ao ex-deputado Fernando Lyra. A notícia boa é que ninguém controla a net.

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7

de
setembro

Marina está no jogo

  As duas ministras em 2007.

Se fuçarem as coleções de jornais, o amável leitor ou a gentil leitora verão no primeiro semestre de 2007 a discussão, primeiro discreta, depois aberta sobre a execução de muitas obras do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, lançado em janeiro daquele ano como primeira grande iniciativa do segundo mandato do presidente Lula. Um programa de 250 bilhões de dólares! Foi destaque até na imprensa européia, pela dimensão e pela demonstração de ousadia e coragem.


Listou-se uma infinidade de obras, muitas destinadas a dotar o país da infraestrutura essencial ao desenvolvimento econômico e social de seu povo. Saneamento básico, casas populares, estradas, portos, produção de energia, tudo no rumo da universalização dos serviços, da água encanada à luz elétrica.


Esta introdução que já se alonga é para lembrar como é antigo o embate entre Dilma Roussef e Marina Silva em torno das obras do PAC. Termoelétricas, hidrelétricas, estradas, assentamentos humanos, tudo implicava o aumento do passivo ambiental que a ministra do Meio Ambiente tentava reverter, ou pelo menos conter. A visão predominante no governo, contudo, era outra, Lula até chegou a reclamar da demora nos licenciamentos ambientais das obras programadas, e tanto foi feito que deu-se a Mangabeira Unger poder para projetar o desenvolvimento da Amazônia, e Marina Silva pegou suas plantinhas e voltou ao Senado.


Hoje, as obras do PAC vão mal das pernas, por motivos vários, inclusive superfaturamento, desvio de dinheiro público, emprego de material inferior em obras e também obstáculos ambientais. Mas verifica-se uma mudança notável no discurso governista, de duas semanas para cá: a preocupação ambiental entrou no rol das intenções sinceras. Esta inclusão começou de forma discreta, com a saída de Marina do PT, intensificou-se com seu ingresso no Partido Verde e vem aumentando desde que sua candidatura à presidência começou a ganhar corpo.


A discussão é boa, porque o modelo de desenvolvimento sustentável defendido por Marina e pelos verdes do mundo todo bate frontalmente com o que se pratica no Brasil desde o descobrimento. Aliás, parece que não aprendemos muito desde então, neste e em outros aspectos, mas esta é outra história. Para termos uma ideia pálida desta complexa questão, basta acompanhar a euforia do governo, dos governadores e do Congresso Nacional com o Pré-Sal. O país do biocombustível, dos carros flex, mergulha de cabeça, sem trocadilho, na busca de combustível fóssil a pelo menos cinco mil metros no fundo do mar, uma matriz energética condenada por poluente em todo o mundo desenvolvido e por escassa e cara a cada dia, a cada prospecção.


Os resultados econômicos do Pré-Sal, se acontecerem, virão entre 15 e 20 anos, quando cientistas preveem alternativas energéticas substituindo gradativa e progressivamente a gasolina e o querosene. Será que o Brasil estará condenado a uma busca economicamente duvidosa, além de ecologicamente infrutífera? Este debate constará da agenda da campanha presidencial do ano que vem, com certeza, até porque pela primeira vez a questão ambiental estará em primeiro plano e as atenções internacionais estarão voltadas para o processo sucessório brasileiro. Depois de um operário, o país terá a consciência verde global no poder?


Mas não só na agenda ambiental já se percebe o incômodo provocado pela provável candidatura de Marina Silva. Dia desses, Dilma Rousseff recebeu a visita de líderes evangélicos na sede do governo, para uma oração por sua saúde, que o país sabe combalida por um câncer. Os jornais e seus sites fizeram uma festa. A bispa Sônia Hernandez e seu marido, o também bispo Estevão Hernandez, que pagaram cadeia nos Estados Unidos por contrabando de dinheiro, apareceram em todas as imagens, como representantes da igreja Renascer em Cristo.


Também estavam na oração pela candidata petista o senador Marcelo Crivela, ex-bispo da Universal, e o deputado bispo Rodovalho, da Sara Nossa Terra, em Brasília. O pretexto foi a criação do Dia da Marcha para Cristo, celebrada em várias datas ao longo do ano em muitos estados. Mas se o pretexto era este, melhor teria sido orar com Lula para que tenha sucesso no seu fim de governo. Ou pelo vice José Alencar, que anda precisado e pedindo orações de todos.


Na realidade, oraram por Dilma porque Marina Silva é da Assembleia de Deus, a mais antiga denominação evangélica no país. Contrariamente às neopentecostais presentes no palácio, a Assembleia não segue a moderna doutrina da prosperidade, que promete aos seguidores recompensa financeira pelo dízimos e ofertas nos seus concorridos cultos. Certamente nesta seriedade de princípios estava a razão de Lula, às vezes, chamar ao seu gabinete a então ministra Marina para orar de mãos dadas por ele e pelo governo.

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3

de
setembro

Maldade 3

Mais de 70% dos brasileiros não têm acesso à internet, segundo levantamento feito por duas ONGs. De que lado você está, afinal?

3

de
setembro

Maldade 2

Dilma Rousseff disse que está livre do câncer. Zé Alencar ainda não.

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3

de
setembro

Maldade 1

Roberto Carlos disse em São Paulo que não está namorando, mas está aberto ao que der e vier. Deus o proteja. 

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3

de
setembro

Uga, buga!

 

Frank, no www.cartunistasolda.com

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3

de
setembro

Moscas imortais

 

Fernando Affonso Collor de Mello é o mais novo imortal da Academia Alagoana de Letras. E daí?, perguntarão os céticos e os cínicos, se até Getúlio Vargas também foi imortal, e da Academia Brasileira de Letras! Que mal há em conceder ao ex-presidente da República honraria estadual, na verdade só um pouquinho mais provinciana do que o chamado “Petit Trianon” fundado por Machado de Assis?
 
A relação das obras de Fernandão é reveladora: “Reforma política e sistema de governo” possivelmente trata das mudanças que não aconteceram e do presidencialismo reafirmado sobre o parlamentarismo no famoso plebiscito de 1993. “O desafio de Maceió” é ficção política e não romance sobre um duelo acontecido na pacífica capital alagoana. “Maceió: 20 anos em 3” deve ser sobre o avanço da miséria durante a administração do jovem prefeito, em 1979.
 
 “Manual dos municípios” pode ser publicação da Telelistas, com endereço, telefone, fax e CEP das prefeituras de todo o país. “Brasil, um projeto de reconstrução nacional” tenho certeza de que é o ideário do extinto Partido da Reconstrução Nacional, o PRN que o alçou à presidência da República, dez anos depois. E “Relatos da História” relaciona contos infantis que Dona Léda, sua “dearest mommy”, lhe contava à noite, para chamar o sono do inquieto rebento.
 
Prolífico desse jeito, é de estranhar que Collor não ocupe cadeira da ABL, ao lado de José Sarney, outro beletrista de escol, autor de obras mais apreciadas na França do que no Maranhão, e do não menos festejado Marco Maciel, autor de obras ainda mais ignotas. Unindo as existências dos três personagens, fatos e circunstâncias curiosos:
 
Em 1979, Fernando Collor foi nomeado prefeito pelo governador de Alagoas, Guilherme Palmeira, e sucedeu José Sarney depois de uma campanha eleitoral em que só não o chamou de “bigodudo”. Marco Maciel foi líder do governo Collor no Senado e, logo mais, escolhido vice de Fernando Henrique, em 1994, depois que Guilherme Palmeira foi preterido em função de acusações de irregularidades na Comissão Mista do Orçamento. Como vemos, não mudam nem as moscas…
 
Bem, Guilherme Palmeira não virou imortal, mas, vivíssimo, descolou uma vaga de ministro e chegou a vice-presidente do Tribunal de Contas da União. Hoje, com de 70 anos, aposentou-se. Se tiver ânimo, pode entrar também para a Academia Alagoana de Letras e ser colega do antigo pupilo, com apoio dele, de Renan Calheiros e do terceiro senador pelo estado, João Tenório, suplente de Teotônio Vilela Filho, herdeiro político de Teotônio Vilela, que começou na UDN em 1948, bandeou para a Arena quando os militares extinguiram os antigos partidos e foi para a oposição em 1979, quando a ditadura começou a agonizar.
 
Morreu em 1983 não mais como usineiro reacionário, mas como entusiasta da eleição direta para presidente e amigo da cantora Fafá de Belém, musa das diretas. Mas esta é outra história. 

 

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