Visão Crítica

Política, economia, cultura e cotidiano por LUIZ AUGUSTO GOLLO

3

de
setembro

Maldade 1

Roberto Carlos disse em São Paulo que não está namorando, mas está aberto ao que der e vier. Deus o proteja. 

Arquivado em: Cotidiano I Comentários (1)

28

de
agosto

A vol d’oiseau

O Ministério Público de São Paulo proibiu, ou quer proibir, crucifixos em repartições públicas sob a alegação de que o Estado é laico. Como assim, se a Câmara dos Deputados acaba de aprovar o acordo do governo com a chamada Santa Sé, tornando obrigatório o ensino de religião nos primeiros anos da educação pública formal? É absurdo, eu sei, mas qual deles é o maior? Pessoalmente, concordo com o Gilmar Mendes: “Espero que não tirem o Cristo do Corcovado, nem acabem com a Páscoa e o Natal”.

Quando o papa Bento 16 esteve entre nós, o presidente Lula fez questão de deixar bem claro que o Brasil é um país laico. Mas quando foi a Roma, assinou um acordo abrindo o ensino laico às aulas de religião. Na volta, mandou para a Câmara, que discutiu muito, mas aprovou, junto com uma lei geral das religiões. Quer dizer que além da catequese católica as crianças poderão aprender passes de umbanda, fundamentos do espiritismo e o que mais se apresentar como aula de religião.
 
E o Supremo inocentou o Palocci da quebra do sigilo bancário do jardineiro Francenildo, lembra dele? Refresque a memória nos sites da imprensa, ele foi o único dos implicados presente à sessão. Alguém argumentou que está na cara a autoria intelectual do crime, mas os ministros, como bons advogados, creem que “o que não está nos autos não está no mundo”. Sobrou para o ex-presidente da Caixa Econômica, Jorge Mattoso, indicação da Marta Suplicy, ex-preso político e pelo visto aético à toda prova. Já se diz até que Palocci pode tomar o lugar da Dilma na candidatura a presidente. “Cê pena que num podi piorá? Piora!”, dizia uma amiga mineira jornalista.
 
E a Dilma, hein? Circula na net um e-mail advertindo para não abrir de jeito nenhum uma mensagem com fotos de Dilma nua…pode ser verdade. Agora, falando sério, é séria essa história do pedido dela a Lina Vieira para apressar a investigação sobre Fernando Sarney? É séria a versão dos 30 dias das imagens no sistema de segurança da sede do governo? É séria alguma coisa que se diga sobre o caso pelo pessoal do governo? Verdade verdadeira, vejo mais seriedade no Mercadante – antes da conversa com o Lula, claro.
 
E as criancinhas de Orlândia? Conhece Orlândia? Nem eu. Duas crianças de dois anos de idade foram flagradas pela funcionária de uma creche pública brincando com dois pacotinhos de cocaína. A diretora chamou a polícia e recomeçou a discussão sobre a redução da maioridade penal, porque, protegidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, os minimeliantes pegariam no máximo três anos e voltariam ao crime com apenas cinco aninhos. Nome da creche? “Boca pequena”.
 
E o José Saramago? O jornal diz que “Depois de padecer de uma grave enfermidade respiratória que quase lhe custou a vida, ele lança seu novo romance, Caim, em que redime o personagem bíblico do assassinato do irmão Abel e credita a Deus a autoria intelectual do crime, ao depreciar o sacrifício que Caim Lhe havia oferecido”. O gajo é bestial! É seu também “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, em que igualmente exerce à vontade seu ateísmo virulento. O que consola é que não falta muito para ele se explicar.
 
E o Michael Jackson, hein? A polícia chegou à conclusão de que foi assassinado por uma dose letal do analgésico Propofol, aliada a midazolam, diazepan, lidocaína e efedrina, de acordo com a autópsia agora divulgada. Que droga de vida! 
Arquivado em: Cotidiano I Comentários (0)

24

de
agosto

Fumando espero

 Basile pitando seu cigarrinho. 

A coisa anda feia para treinadores de futebol argentinos, a julgar pela interpelação de Alfio Basile e seu auxiliar Rubén "Panadero" Díaz, do Boca Juniors, que se explicarão ao Tribunal de Disciplina da Federação Argentina de Futebol, AFA, en español, às seis da tarde desta terça-feira. Ambos fumaram à beira do gramado, durante a partida da primeira rodada do campeonato, que terminou empatada em dois a dois, contra o Argentinos. Desde 2005 a AFA proíbe o fumo em campo, mesmo no banco de reservas e, agora, com a onda antitabagista internacional que também contaminou o governo de Cristina Kirchner, encheu-se de moral.

Arquivado em: Cotidiano I Comentários (0)

15

de
agosto

Ricardo Cravo Albin

a cara e a voz do Museu da Imagem e do Som carioca não foi ouvido

Na festa do anúncio do projeto arquitetônico vencedor do concurso para a construção do novo Museu da Imagem e do Som (MIS) do Rio de Janeiro, na segunda-feira desta semana, entre dezenas de convidados ilustres uma ausência em especial foi percebida pela maioria: a de Ricardo Cravo Albin, responsável pelo MIS por 18 anos e artífice da engenharia política que garantiu a sobrevivência da memória da mais autêntica cultura popular brasileira durante o pior período da ditadura militar.

“Não quero entrar numa discussão sem sentido. Muita gente tem me ligado para perguntar e falar bem e mal, mas eu não vou falar mal do meu filho”, diz, diplomático, entre goles de café depois do almoço e antes de completar seu raciocínio: “As pessoas não têm que se atrelar a outras pessoas, mas sim a ideias, isso é o que interessa: a manutenção da essência do museu”.

O MIS do Rio de Janeiro, pioneiro no país, foi fundado em 1965 pelo governador do estado da Guanabara, Carlos Lacerda, e em alguns meses passou às mãos de Cravo Albin, “não fundador, mas estruturador do MIS”, como se considera.

“Hoje me orgulho de ter fundado 18 museus da imagem e do som pelo Brasil afora. O primeiro foi o de São Paulo, entregue a Rudá de Andrade (filho de Oswald de Andrade) e que hoje é um dos principais do país”, comenta o misto de advogado que não advogou e jornalista que se dedicou ao registro do passado e não do presente.

Ricardo Cravo Albin estranha a maneira como se dá a evolução do MIS carioca, mas não lhe agrada a mudança: “Copacabana não precisa de museu, de movimento. Já é muito movimentada. Além disso, o novo museu vai destoar de toda a arquitetura da Avenida Atlântica”, comenta, aproveitando para uma alfinetada:

“Na terra de Niemeyer, promove-se um concurso internacional e vence um escritório americano! Isto para não falar que já existe um projeto, do arquiteto Glauco Campello, para a construção do prédio anexo do MIS, ao lado da sede na Praça XV”.

A sede é um prédio histórico, construído para abrigar a exposição comemorativa do centenário da independência, em 1922. No livro “Rastros de Memória”, em que conta a história do museu, Ricardo Cravo Albin incluiu a foto da maquete baseada no projeto de Campello.

“O natural seria construir o anexo ao prédio histórico”, adverte. “Inclusive, fico muito preocupado com o destino que se dará ao prédio do Pavilhão de Exposições. Espero que seja preservada sua importância histórica e cultural”.

O memorialista lembra que ao assumir o MIS, ele era um museu sem dinheiro e quase se acervo, numa época em que o país começava a sofrer a asfixia política e cultural da ditadura militar. Era preciso muito engenho e arte para levar adiante o projeto:

“As pessoas chegavam para mim perguntando por que fazer um museu do cinema”, ele ri. “Eu explicava que era um museu para a imagem e o som, mas não havia nada parecido no Brasil, nem no mundo”.

Assim, Cravo Albin inventou a série “Depoimentos para a Posteridade”, aberta com o de João da Baiana, de repercussão imediata na grande imprensa. Para determinar quem deveria gravar sua história, criou vários conselhos, cada um com 30 a 40 membros escolhidos entre artistas, estudiosos, jornalistas, professores, músicos.

Além de indicar as personalidades, os conselheiros davam aulas no próprio museu para turmas abertas aos interessados nos temas dos cursos, de música erudita a esportes, passando por literatura, cinema, teatros, artes plásticas e cinema.

“Cobrava-se barato, o museu ficava com 80% e o professor com 20%, mas mesmo assim não havia dinheiro nem para as fitas de gravação. Em nome do MIS, eu pedia as gravações da Aliança para o Progresso, apagava as fitas e gravava os depoimentos”, ele revela, citando Elizeth Cardoso, Jacob do Bandolim, entre tantos que gravaram suas vozes e histórias para a posteridade em fitas originais do programa norte-americano de propaganda ideológica.

No governo do general Ernesto Geisel, quando a situação geral do país ficou mais pesada, Ricardo Cravo Albin chegou a desviar material da representação da Sunab no Rio, onde trabalhava como assessor de imprensa, e por isto quase foi preso:

“Fui pessoalmente ao general João Batista Figueiredo, chefe do SNI, e expliquei que desviava papel higiênico, lápis, coisas de escritório, para ajudar o museu. Ele me ouviu e disse: ‘Pode ficar tranquilo que eu conheço bandido há muito tempo. Você não está roubando, é um cara honesto’. E eu escapei do inquérito e da cadeia”.

Com o tempo, ele criou o Golfinho de Ouro, para destaques na vida cultural, e o Estácio de Sá, para os mecenas da área, dois prêmios anuais entregues pelo governador em solenidades que mereciam cobertura de toda a imprensa.

Pelo que fez não só no Rio, mas nos 18 estados onde disseminou os museus da imagem e do som, Ricardo Cravo Albin esperava ser ouvido agora, sobretudo porque considera-se amigo de Sérgio Cabral, pai do governador “que eu peguei no colo, veja você” e também porque sua consultoria é solicitada até no exterior, como no futuro MIS de Angola, projeto da construtora Odebrecht.

“Mas não vou apequenar a questão. O importante mesmo é que o museu será enriquecido com novas tecnologias e mais espaço”, finaliza, embarcando no carro para o fim de semana em Paraty: “Vou renovar as forças”.

25

de
julho

Para reflexões existenciais

 

Galáxia NGC 1097, registrada pela NASA e reproduzida pela Folha de S. Paulo na foto tomada a partir do telescópio Spitzer. Ela está a 50 milhões de anos-luz da Terra. A luz se desloca à velocidade aproximada de 300 mil quilômetros por segundo (nada viaja mais rápido do que ela), percorrendo 9,46 trilhões de quilômetros por ano entre os astros.

Arquivado em: Cotidiano I Comentários (0)

7

de
julho

Diadema retrós!

Dilema atroz! aprovado no Senado em caráter terminativo o projeto que isenta diabéticos do recolhimento do imposto de renda, não sei se torço para ele passar também na Câmara e ser sancionado pelo Lula, ou se continuo à espera da cura prevista em pesquisas com células-tronco. Como ganho menos que um neto do Sarney ou uma nora (nova) do Lobão, continuarei a apostar na medicina.

26

de
junho

“Podem sair”

 

Tirado do cartunistasolda.blogspot.com

Arquivado em: Cotidiano I Comentários (0)

25

de
junho

Vê se me erra!

INSISTENTES BOATOS CIRCULARAM HOJE EM

BRASÍLIA DANDO CONTA DA MORTE POLÍTICA DE

JOSÉ SARNEY. NO FIM DA TARDE, O PRÓPRIO

SENADOR VEIO A PÚBLICO E ESCLARECEU:

"CALMA AÍ, BRASILEIROS E BRASILEIRAS, A MORTE

NÃO É MINHA: É DO MICHAEL JACKSON".  

 

12

de
junho

Salvando o casamento

Deixo de lado a agenda dos acontecimentos da semana, de resto uma sucessão de tragédias e dramas pessoais ou sociais e políticos, para distrair a meia dúzia de leitores cativos com uma historinha de casamento. Preocupada com a monotonia imposta pela rotina de oito anos de casada, a esposa procurou alguma fórmula capaz de manter acesa a chama do desejo e do ardor entre ela e o marido, tipo tranquilão e meio desligado quanto a essas preocupações da cara-metade. Fuça daqui e dali, ela encontrou um quase manual na internet, no original em inglês, pois era caso norte-americano, e decidiu pô-lo em prática:

 
“Meu bem”, começou a abordagem, voz aveludada, depois do jantar, “sabe que eu li um texto muito interessante sobre o casamento esta tarde e…”
 
“Leu o que, meu anjo?” ele interrompeu sem a menor elegância. Ela fez que não notou e seguiu em frente:
 
“Li um texto na internet sobre a rotina nos casamentos (Fez uma pausa plena de significados). Você sabia que a monotonia, a rotina, a falta de novidade, tudo isso é a principal causa do fim dos casamentos?”
 
“Sim…E daí?” tornou ele, impaciente.
 
“Daí que eu pensei que nós podíamos fazer umas coisas para, sei lá, animar nosso casamento”.
 
“Que coisas, Marion?” – ela sabia que quando a tratava assim a coisa era séria, porque ela odiava o próprio nome, desde o jardim de infância.
 
“Bem, Ernesto”, ela rebateu, na mesma moeda, “só para variar nós podíamos brincar de cachorro e gato…ou melhor, gata, como eu li”.
 
“Como é isso?” ele se interessou de verdade.
 
“A gente fica de quatro pela casa, você é o cachorro e eu a gata e você me persegue até a gente se cansar…”
 
“E aí?” ele perguntou, com óbvia má vontade.
 
“Como e aí? Aí acontece, ora!” Ela se irritou, mas imediatamente recuperou a calma e explicou com todas as letras o que aconteceria ao final da brincadeira.
 
Naquela noite os dois engatinharam entre móveis e cortinas, pelados, ele fingindo o cão, ela a gata, até a brincadeira terminar na cama, onde, bufando como um touro, ele lhe disse que tinha sido a coisa mais sem graça no casamento deles, até porque “cachorro não come gato, nem gata”.
 
Dias depois, ela voltou à carga com outra idéia tirada do mesmo texto. Transariam de olhos fechados, ele imaginando que ela era outra e ela imaginando que ele era outro. Não deu certo, é claro, nem com a luz apagada. No meio da coisa, ele parou:
 
“Peraí!”
 
“Ah, não, meu amor…”
 
“Ah, sim. Se você é outra mulher, que eu não sei quem é porque não quero ir pra cama com ninguém além de você mesma, quem será o homem que você está imaginando que eu sou? Não tem graça nenhuma, é melhor você procurar por ele logo de uma vez”.
 
Passaram dias quase sem se falar, até que no sábado ela não resistiu:
 
“Mô, a gente podia fingir outra coisa, sem complicar”.
 
“Você não desiste, né?” definitivamente ele estava de saco cheio e, para falar a verdade, aquela conversa de rotina e monotonia começara a fazer sentido para ele na noite do cachorro doido. Mas até que a nova idéia era melhorzinha, pelo menos não era dentro de casa. Os dois se encontrariam num “single bar” no centro da cidade, naquele sábado mesmo. Ele chegaria às três e ocuparia uma mesa. Ela chegaria às três e quinze, ocuparia outra mesa e começariam a flertar, como se não se conhecessem. Do flerte iriam para um motel e pronto: estava derrotada a rotina.
 
Ele entrou no bar de pequenas mesas redondas e sentou-se numa ao fundo. Pediu um uísque e só então notou a mulher sozinha em outra mesa, olhando-o com insistência. Sorriram um para o outro e em menos de um minuto estavam na mesma mesa. Às três e quinze, pontualmente, ela entrou no bar, olhou todas as mesas e reconheceu a camisa do marido. Ele e a outra riam como velhos amigos. Ela se aproximou desconcertada:
 
“Muito bonito, né? Foi isso que nós combinamos, foi?”
 
E ele, sem se levantar:
 
“Perdão, minha senhora, eu a conheço?”
Arquivado em: Cotidiano I Comentários (0)

5

de
junho

Dia Mundial do Meio Ambiente

Arquivado em: Cotidiano I Comentários (0)
Posts mais antigos »

Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://lgollo.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.