Visão Crítica

Política, economia, cultura e cotidiano por LUIZ AUGUSTO GOLLO

26

de
junho

“Podem sair”

 

Tirado do cartunistasolda.blogspot.com

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25

de
junho

Vê se me erra!

INSISTENTES BOATOS CIRCULARAM HOJE EM

BRASÍLIA DANDO CONTA DA MORTE POLÍTICA DE

JOSÉ SARNEY. NO FIM DA TARDE, O PRÓPRIO

SENADOR VEIO A PÚBLICO E ESCLARECEU:

"CALMA AÍ, BRASILEIROS E BRASILEIRAS, A MORTE

NÃO É MINHA: É DO MICHAEL JACKSON".  

 

12

de
junho

Salvando o casamento

Deixo de lado a agenda dos acontecimentos da semana, de resto uma sucessão de tragédias e dramas pessoais ou sociais e políticos, para distrair a meia dúzia de leitores cativos com uma historinha de casamento. Preocupada com a monotonia imposta pela rotina de oito anos de casada, a esposa procurou alguma fórmula capaz de manter acesa a chama do desejo e do ardor entre ela e o marido, tipo tranquilão e meio desligado quanto a essas preocupações da cara-metade. Fuça daqui e dali, ela encontrou um quase manual na internet, no original em inglês, pois era caso norte-americano, e decidiu pô-lo em prática:

 
“Meu bem”, começou a abordagem, voz aveludada, depois do jantar, “sabe que eu li um texto muito interessante sobre o casamento esta tarde e…”
 
“Leu o que, meu anjo?” ele interrompeu sem a menor elegância. Ela fez que não notou e seguiu em frente:
 
“Li um texto na internet sobre a rotina nos casamentos (Fez uma pausa plena de significados). Você sabia que a monotonia, a rotina, a falta de novidade, tudo isso é a principal causa do fim dos casamentos?”
 
“Sim…E daí?” tornou ele, impaciente.
 
“Daí que eu pensei que nós podíamos fazer umas coisas para, sei lá, animar nosso casamento”.
 
“Que coisas, Marion?” – ela sabia que quando a tratava assim a coisa era séria, porque ela odiava o próprio nome, desde o jardim de infância.
 
“Bem, Ernesto”, ela rebateu, na mesma moeda, “só para variar nós podíamos brincar de cachorro e gato…ou melhor, gata, como eu li”.
 
“Como é isso?” ele se interessou de verdade.
 
“A gente fica de quatro pela casa, você é o cachorro e eu a gata e você me persegue até a gente se cansar…”
 
“E aí?” ele perguntou, com óbvia má vontade.
 
“Como e aí? Aí acontece, ora!” Ela se irritou, mas imediatamente recuperou a calma e explicou com todas as letras o que aconteceria ao final da brincadeira.
 
Naquela noite os dois engatinharam entre móveis e cortinas, pelados, ele fingindo o cão, ela a gata, até a brincadeira terminar na cama, onde, bufando como um touro, ele lhe disse que tinha sido a coisa mais sem graça no casamento deles, até porque “cachorro não come gato, nem gata”.
 
Dias depois, ela voltou à carga com outra idéia tirada do mesmo texto. Transariam de olhos fechados, ele imaginando que ela era outra e ela imaginando que ele era outro. Não deu certo, é claro, nem com a luz apagada. No meio da coisa, ele parou:
 
“Peraí!”
 
“Ah, não, meu amor…”
 
“Ah, sim. Se você é outra mulher, que eu não sei quem é porque não quero ir pra cama com ninguém além de você mesma, quem será o homem que você está imaginando que eu sou? Não tem graça nenhuma, é melhor você procurar por ele logo de uma vez”.
 
Passaram dias quase sem se falar, até que no sábado ela não resistiu:
 
“Mô, a gente podia fingir outra coisa, sem complicar”.
 
“Você não desiste, né?” definitivamente ele estava de saco cheio e, para falar a verdade, aquela conversa de rotina e monotonia começara a fazer sentido para ele na noite do cachorro doido. Mas até que a nova idéia era melhorzinha, pelo menos não era dentro de casa. Os dois se encontrariam num “single bar” no centro da cidade, naquele sábado mesmo. Ele chegaria às três e ocuparia uma mesa. Ela chegaria às três e quinze, ocuparia outra mesa e começariam a flertar, como se não se conhecessem. Do flerte iriam para um motel e pronto: estava derrotada a rotina.
 
Ele entrou no bar de pequenas mesas redondas e sentou-se numa ao fundo. Pediu um uísque e só então notou a mulher sozinha em outra mesa, olhando-o com insistência. Sorriram um para o outro e em menos de um minuto estavam na mesma mesa. Às três e quinze, pontualmente, ela entrou no bar, olhou todas as mesas e reconheceu a camisa do marido. Ele e a outra riam como velhos amigos. Ela se aproximou desconcertada:
 
“Muito bonito, né? Foi isso que nós combinamos, foi?”
 
E ele, sem se levantar:
 
“Perdão, minha senhora, eu a conheço?”
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5

de
junho

Dia Mundial do Meio Ambiente

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5

de
junho

Herdeiros da tragédia

Ainda sob o impacto da perda pessoal irrecuperável, os familiares dos passageiros do acidente aéreo de domingo precisam encontrar ânimo e coragem para enfrentar o que vem depois do pior: o mais difícil. José Geraldo Tardin, presidente do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec), alerta para posturas essenciais neste momento traumático:

 
“Os parentes mais próximos, herdeiros e sucessores, não devem aceitar qualquer tipo de acordo proposto pela companhia aérea sem ouvir seu advogado. É comum apresentarem um termo de acordo, mas as circunstâncias exigem a análise por um profissional alheio ao choque emocional”, diz.
 
Para pleitear possíveis indenizações e dar andamento aos trâmites burocráticos, os familiares dos desaparecidos enfrentarão uma maratona exaustiva e pessoalmente desgastante, por isto o Ibedec recomenda que se unam e escolham um curador, ou responsável, por dar entrada e acompanhar o processo, sobretudo na Justiça, cuja morosidade é proverbial.
 
“Como não há corpos, não haverá certidão de óbito, substituída pela declaração judicial de morte presumida, sem o que não se abrem inventários, nem se recebem seguros ou pensões por morte. Enquanto não houver esta declaração é necessário que a Justiça nomeie o curador dos desaparecidos”.
 
José Geraldo Tardin acha melhor o grupo apresentar ao juiz um nome de fora, um advogado, ou gerente de banco de investimentos, ou mesmo empresário, que será remunerado. E adverte que este primeiro trâmite exige intervenção do Ministério Público e pode se arrastar por meses.
 
“Perante as companhias de seguros, as indenizações serão pagas depois de decretada a morte presumida do segurado. No INSS, para fazer jus à pensão por morte presumida, os pretendentes deverão apresentar boletim de ocorrência feito junto à autoridade policial, prova documental da presença no local da ocorrência e noticiário na mídia. Ainda assim, enquanto não finalizar o processo de morte presumida, a cada seis meses os beneficiários terão de fornecer a posição atualizada do processo à autoridade competente”, ele explica.
 
O presidente do Ibedec é de opinião que a decisão judicial deveria ser de ofício, ou seja, a morte presumida em casos como este seria declarada sem a formalização de um processo de longa tramitação, especialmente dolorosa para os herdeiros e sucessores das vítimas.
 
“Inclusive porque é preciso comunicar imediatamente aos bancos e instituições de crédito com as quais o desaparecido mantinha negócios, para suspender eventuais cobranças e saber se ele tinha poupança, conta remunerada, participação em carteira de investimentos, previdência privada, seguro de vida, tudo isso”.
 
O status social e o nível econômico dos passageiros do voo Rio-Paris, em geral, sugere que boa parte deles tivesse bens imóveis, participações acionárias em empresas e investimentos financeiros, na avaliação de José Geraldo Tardin. “No caso de um empresário, por exemplo, sócio de algum empreendimento, é preciso promover o distrato da sociedade, estabelecendo o valor da participação a que terão direito os herdeiros e que pode até ser amortizado ao longo do tempo, caso o resgate de uma só vez possa comprometer a sobrevivência da empresa”.
 
Uma vez obtida a declaração de morte presumida e aberto o inventário de bens, herdeiros e sucessores poderão habilitar-se a receber também indenizações por danos materiais e morais, com base no Código de Defesa do Consumidor, e não no Código Civil. Tardin detalha:
 
“Trata-se de uma relação de consumo, foi firmado um contrato de transporte com data, horário e local para iniciar e terminar. Como ele não foi cumprido, segundo o Código de Defesa do Consumidor o fornecedor responde, independentemente de culpa, por defeito no serviço prestado. Se a ação for baseada no Código Civil, será exigida prova de culpa para receber a indenização”.
 
Será também com base nas relações de consumo que o juiz estipulará o valor da indenização por danos materiais, considerando a idade da vítima, a expectativa de vida, a renda atual e a projeção da renda futura. No geral, o valor da indenização por dano moral se situa no mesmo patamar.
 
Fundado em Brasília em 2000 como centro de estudos acadêmicos na área de consumo, o Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (www.ibedec.org.br) ganhou novo perfil dois anos depois e desde então atua mais na defesa do consumidor. Tem quatro mil filiados em nível nacional, todos pessoas físicas, e defende cerca de 40 projetos de lei sobre relações de consumo em tramitação no Congresso Nacional.
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28

de
maio

Milhagem

Mais uma piadinha esperta do Tiago Recchia,

diretamente do cartunistasolda.blogspot.com

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16

de
abril

Piadas da hora

Frank, finíssimo humor histórico no feriadão de 21 de abril. Joaquim Silvério dos Reis, o traidor, faz a pergunta, que Tiradentes responde com a última palavra da expressão latina na bandeira de Minas Gerais: "Libertas quae sera tamen" ("Liberdade ainda que tardia"). Crédito extra para Galeno Lima, possível professor de História. 

 

Frank, um olho nos passageiros espancados na estação de Madureira pelos guardas da Supervia e outro nas viagens de Adriane Galisteu quando namorava o deputado do texto abaixo. As duas copiadas do blog www.cartunistasolda.blogspot.com.

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2

de
abril

Antes tarde…

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1

de
abril

Outono ou nada

Muito se tem escrito sobre o outono nestes primeiros dias da estação que veio de roldão nas “águas de março fechando o verão”. Fotos nas páginas de papel e na internet revelam a beleza do chão atapetado de flores e folhas coloridas, a suavidade cinzenta do céu nublado, o sol morno sobre as praias, mais ainda sobre a “Princesinha do Mar”. João de Barro e Alberto Ribeiro criaram mais do que um apelido, criaram a identidade do bairro, em plena década de 40, quando até os outonos eram outros.


Desde criança aprendi que o Rio tinha duas estações apenas: verão e calor. Segui pela vida repetindo essa sandice, até voltar, depois de 30 anos em Brasília. Em Copacabana, afinal, como num “insight”, constatei que a sexta-feira 20 de março não foi igual à véspera. O verão acabara e o outono se instalou de maneira triunfal, não tímido e sorrateiro, mas com trombetas e clarins. O sol brilhava, mas não fazia o mesmo calor, a brisa na orla já não era o bafo quente de antes, e nos dias seguintes ficaria mais e mais amena, até sugerir senão um casaco, ao menos uma camisa mais grossa.


Exagero? Talvez, mas a cada manhã caminhar no calçadão é mais agradável, até mesmo quando a chuva fininha insiste em perturbar o cenário. A areia molhada ganha outra densidade e uma cor mais escura, como o mar lá adiante, disfarçado atrás do véu úmido da manhã. No mesmo ritmo de quando o sol reina, as pessoas prosseguem no vaivém da caminhada, da corrida ou da bicicleta. Parece que nada atinge a realidade do calçadão.


Do outro lado do asfalto, bolsas de valores caem, desemprego cresce, cesta básica sobe, ladrões roubam, comentaristas econômicos e políticos profetizam caos e desespero, pranto e ranger de dentes. Do lado de cá, o outono se impõe concreto e palpável, inteiro e íntegro, enquanto encerro meu percurso matinal.


E até a água de coco está mais gelada esta manhã.

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31

de
março

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