Visão Crítica

Política, economia, cultura e cotidiano por LUIZ AUGUSTO GOLLO

21

de
abril

Onde?

Quais coisas são de fato relevantes, e quais desimportantes? Quem são os medalhões que nos olham com altivez e soberba, e como se chamam os meninos e meninas, os velhos e todos os miseráveis que nos abordam nas calçadas imundas da zona nobre da cidade? Quantos dias, quantas horas, quanto tempo demorará até entendermos a inutilidade dos relógios, a ineficácia dos calendários? Onde está o Deus de tudo e de todos, que deixa seus filhos errantes pela vida, de tropeço em tropeço, de queda em queda, caminhando em direção ao nada, chegando a lugar nenhum?

Arquivado em: Cultura I Comentários (0)

24

de
março

Deus me livre!

Camiseta encomendada por soldados israelenses na Faixa de Gaza, no corpo de um modelo. O texto é claro: "1 tiro 2 mortes", embaixo do desenho de uma palestina grávida no alvo. Autoridades israelenses viram mau gosto na iniciativa, mas eu vejo o absurdo de um povo perseguido desde o Velho Testamento, vítima da "catástrofe" na segunda guerra mundial, exibir a face genocida em sua manifestação mais primária.

17

de
março

Jango

AS NOTÍCIAS SOBRE O NEPOTISMO TERCEIRIZADO, PASSAGENS AÉREAS DA COTA PESSOAL DE SENADORES PARA AMIGOS, APARTAMENTOS FUNCIONAIS OCUPADOS POR PARENTES DE DIRETORES…TUDO ISTO NÃO PASSA DO VELHO PATRIMONIALISMO CARACTERÍSTICO DAS RELAÇÕES DAS ELITES COM O ESTADO BRASILEIRO. POLÍTICOS E EMPRESÁRIOS SÃO DONOS DE GENTE, TERRAS, PRÉDIOS, BAIRROS, CIDADES, ESTADOS, O QUE ESTIVER À MÃO, DISPONÍVEL OU NÃO. UMA VEZ, EM CONVERSA COM CIRO GOMES SOBRE ESSA DEFORMAÇÃO BRASILEIRA, FERNANDO HENRIQUE CARDOSO ADMITIU A IMPOSSIBILIDADE DE ACABAR COM O PATRIMONIALISMO, E ACRESCENTOU: "O ÚNICO QUE TENTOU, FOI POSTO PRA FORA". MAIS PRECISAMENTE, EM 31 DE MARÇO DE 1964. 

6

de
março

www.portasabertas.org.br

Arquivado em: Cultura I Comentários (0)

28

de
fevereiro

Mundos flutuantes

 

Foto da exposição "Mundos flutuantes", no Sesi paulistano, feita por Haruo Ohara, que registrou o cotidiano de trabalhadores rurais japoneses em Londrina, no norte do Paraná.

19

de
fevereiro

A verdade nua do carnaval

Carnaval no Rio é escola de samba, apesar do esforço da Banda de Ipanema, Suvaco do Cristo, Simpatia é Quase Amor e tantos outros blocos de rua. A imprensa registra a saída de cada um, a empresa de limpeza urbana divulga as toneladas de lixo deixadas, a companhia de trânsito orienta motoristas no percurso, mas tudo gira mesmo em torno dos preparativos das escolas de samba para o grande desfile do chamado Grupo Especial, onde estão as principais atrações.


Como trabalho em televisão, corremos atrás dos barracões para a transmissão de flashes ao vivo durante a programação, dias antes das escolas ganharem o asfalto recém-pintado da Sapucaí. A três dias dos desfiles, só quatro escolas tinham tudo pronto para entrar na avenida: Beija-Flor, Salgueiro, Vila Isabel e Grande Rio. As outras oito corriam alucinadas contra o relógio, não tinham nem tempo nem disposição de abrir seu barracão para câmeras e mostrar o atraso ao resto do país.


Mas um detalhe que desconhecia, até porque este é o primeiro carnaval que passo no Rio depois de décadas em Brasília, é que mesmo nas escolas mais organizadas é uma dificuldade gravar boas imagens no barracão, porque o que as tevês querem mostrar (e o telespectador quer ver) são aquelas passistas esculturais, as madrinhas disso e daquilo, e as musas que inventaram para dar lugar a quem não batizou nada, não é destaque em nenhum carro alegórico, mas tem umas qualidades visíveis a olho nu.


Quando a produção da tevê consegue um barracão e a equipe chega para a gravação, as mulheres são empacotadoras da Casa Bahia, diaristas da Tijuca e manicures de Copacabana. Um colega maldoso diz que todas têm o calcanhar grosso, e a mais instruída e culta acha que Dr. Scholl é o inventor da bomba atômica. As gostosas só aparecem na hora de mandar beijinho pra galera e fazer poses sensuais para fotógrafos e cinegrafistas.

Arquivado em: Cultura I Comentários (0)

11

de
dezembro

Definitivo

"Estamos produzindo uma decisão que faz a mais avançada democracia racial com o mais depurado humanismo. É muito mais fácil desintegrar um átomo do que desfazer um preconceito. Nós, aqui, estamos estamos desfazendo ujm preconceito multissecular. O Brasil, a partir de agora, tem sobradas razões para se dizer um Brasil fraterno, sem preconceitos".

.

 

Do ministro Carlos Ayres Britto, relator do processo de demarcação de terras na reserva Raposa-Serra do Sol, em Roraima, mostrando por que tem merecido o respeito e a admiração da ambientalista Marina Silva, senadora e ex-ministra do Meio Ambiente.

28

de
novembro

De altruísmo e vilania

Flagrante de solidariedade.  

Não costumo escrever sobre fenômenos naturais, nem mesmo quando é um tsunami lambendo países limítrofes na Ásia e na África, ou um vulcão vomitando lava montanha abaixo em outras partes do mundo. No geral, são de trágicas conseqüências, imagináveis ou até previsíveis, e atestam, em sua avassaladora manifestação, a fragilidade da condição humana sobre o planeta que insistimos em ofender, na ignorância de que a natureza responde em dobro o mal que mãos humanas lhe fazem. Mesmo quando as intenções são boas, se há agressão ela terá resposta à altura. Lembro-me de percorrer de carro um bom trecho da rodovia Transamazônica, entre Altamira, no Pará, e Prainha, ponto perdido no meio do Amazonas. Em vários trechos, as copas das árvores às margens da estrada de terra se uniam sobre nossas cabeças, num túnel natural exuberante e assustador. Em outros, a Brasília da Polícia Rodoviária Federal mergulhava lentamente num lado do buraco e emergia ao leito da estrada do outro, com muita preocupação minha e do fotógrafo que me acompanhava.

As chuvas sobre Santa Catarina não se incluem em nenhuma categoria de ofensa do homem à natureza, pelo menos até onde se especula na imprensa, desde a semana passada. É uma aguaceiro inédito, diluviano mesmo, a se infiltrar nas encostas e a dissolver as terras dos morros, transformando-as num mingau indigesto tanto para as populações locais quanto para nós, que testemunhamos, assustados, pela televisão. Pode ter origem no El Niño, que esquenta as águas do Pacífico, altera correntes marítimas e por ocorrer anualmente nesta época recebe o nome em lembrança ao nascimento do menino Jesus. Pode ser também o fenômeno detectado no Atlântico, próximo à costa catarinense, que provoca a precipitação pluviométrica, e pode ainda ter algo a ver com a frente fria estacionada sobre o litoral sul brasileiro, ou ainda ser o somatório de todas estas hipóteses. Não acho que seja importante definir a origem, até porque o poder econômico, metáfora do mal, não deixará de poluir, agredir, violentar um centímetro de ambiente, acontença o que acontecer.

O que me motiva a escrever sobre o desastre catarinense é a solidariedade humana, as manifestações espontâneas, a doação de roupas, comida e dinheiro, a demonstração concreta e palpável da preocupação do brasileiro com a desgraça alheia. Vi e ouvi uma mulher na tevê dizer que doava roupas e alimentos porque os irmãos do sul precisam de ajuda. Sentiu-se impelida pela consicência cívica a dar sua colaboração, e terminou a declaração com o recado: “Animem-se, vocês vão superar e vão partir pra outra”. Se não foram essas as palavras, foi o significado. Aquela mulher de talvez quarenta anos não se contentou em mandar ajuda concreta, como também enviou apoio moral através da mensagem encorajadora e otimista. Posturas assim me devolvem a fé no chamado “ser humano”, nem que seja por instantes. São um bálsamo entre tantas coisas negativas na mídia nacional.

Pena que sejam raras as ocasiões agradáveis geradoras de comportamentos elogiáveis, mas as desgraças deixam bem claro como nos espelhamos no outro, como nos projetamos nas situações difíceis, às vezes pensando “graças a Deus não é comigo”, mas quase sempre sem reflexão alguma, apenas movidos pela piedade, pela compaixão. É interessante comparar reações opostas na solidariedade. Por exemplo, o gari do aeroporto de Brasília achou uma pasta de executivo no banheiro com 35 mil reais dentro e devolveu. Foi até recebido pelo presidente Lula, mas ouvi muita gente boa tachá-lo de “otário” e “babaca”. Na enchente catarinense, muita gente correu para ajudar e ninguém para saquear os pertences das vítimas. Mas deixa passar um tempo e a polícia não isolar a área…no vale do Itajaí vigora o toque de recolher e até o fechamento desta edição três pessoas tinham sido presas. Vai ver estavam entre os primeiros socorristas voluntários da manhã. “O homem é o lobo do homem”, disse Thomas Hobbes, filósofo seiscentista inglês. “Maldito o homem que confia no próprio homem”, já dizia Jesus Cristo, muitíssimo tempo antes.

Arquivado em: Cultura I Comentários (0)

22

de
novembro

Estamos conversados

Li, outro dia, artigo de um francês residente nos Estados Unidos reclamando do “politicamente correto”, a partir de um e-mail enviado por ele a alguém na Europa e no qual usou a palavra “retard”, que em inglês pode ser “retardado”, mas em bom francês não passa de um atraso. Imediatamente surgiu na tela do computador uma mensagem com mais ou menos o seguinte:

“Atenção! Você acabou de empregar um termo pejorativo. A política da empresa não admite este tipo de comportamento, blábláblá…” Indignado, o francês procurou o setor de informática para esclarecer o caso e saber quem era o responsável pela advertência indevida. Não descobriu nem uma coisa nem outra, porque os funcionários do setor não tinham noção de outro idioma que não o “informatês” e não faziam a mais pálida idéia de quem implantou a linguagem do “politicamente correto” nos computadores da rede.

A conclusão do francês é que o “politicamente correto” não tem pai nem mãe e nem justificativa sustentável na sociedade contemporânea. Talvez se explique pela paranóia da discriminação, que em muitos países (aqui, inclusive) eventualvemente gera processos judiciais e prejuízos financeiros.

O fato é que o “politicamente correto” impõe alarmes nas nossas mentes e mordaças nas nossas bocas, em nome de um tratamento igualitário inexistente. A pessoa que não pode ver é cega, não importa o eufemismo que se crie para substituir a cegueira. Da mesma forma, o surdo, o manco, o coxo, o caolho, o perneta, e por aí segue o baile.

Humoristas reclamam que o “politicamente correto” está acabando com sua fonte de piadas, e deve ser verdade. Não podem mais fazer graça com gago, aleijado, bicha, português, velho, criança, mulher, está cada dia mais restrito o universo das personagens de anedota.

Dizer que alguém é preto é racismo, crime inafiançável, mas chamar de “branco azedo” tudo bem. Dizer que toda loura é burra é discriminação, mas esculhambar sogra pode. Chamar o rapaz cheio de “ademanes”, como dizia Jânio Quadros, de viado é ultraje, mas “gay” faz até parada orgulhosa.

Aleijado já era, nem paraplégico pode, agora é cadeirante – o que me faz pensar se meu irmão que usa bengala canadense será um “muletante” ou “bengalante”. Deficiente visual, deficiente auditivo, deficiente mental, portador de necessidades especiais, esses são os termos do glossário “politicamente correto” e não se discute.

Neste passo, aos poucos eliminaremos as características pessoais e formaremos uma massa aparentemente
homogênea, na qual todos são pretensamente iguais. Aí não poderemos mais chamar alguém de baixinho, gigante, balofo, esqueleto, zarolho, maneta, banguela, cabeça-de-bagre, perna-de-pau, deixa-que-eu-chuto, tá-raso-tá-fundo, careca, quatro-olho, paraíba, baiano, japoronga, japa, china-lelé, rolha-de-poço, pintor-de-rodapé, salva-vidas-de-aquário, anão-de-jardim…aliás, anão também não existe mais. Politicamente correto é cidadão verticalmente prejudicado.

Assim fica difícil até fazer crônica, que dirá piada…

28

de
outubro

QUADRINHA TRISTE

NÃO, NÃO ERA DEPRESSIVA

NÃO ACHAVA TUDO DEPRIMENTE

APENAS SE SUICIDOU DE ALEGRIA

POR VIVER SEMPRE TÃO CONTENTE

 

Arquivado em: Cultura I Comentários (0)
« Posts mais novosPosts mais antigos »

Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://lgollo.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o servio e siga participando do Terra Blog.