3
de
setembro
Maldade 3
Mais de 70% dos brasileiros não têm acesso à internet, segundo levantamento feito por duas ONGs. De que lado você está, afinal?
Mais de 70% dos brasileiros não têm acesso à internet, segundo levantamento feito por duas ONGs. De que lado você está, afinal?
Se a culpa é dos olhos azuis eu não sei, mas Lula acertou na mosca, mais uma vez, e o primeiro ministro Gordon Brown não deve ter ficado constrangido, como gostariam a imprensa e os comentaristas da CBN. Afinal, a frase não foi endereçada a ele, mas sim à banca internacional e seus sócios, que passaram a vida inteira nos ensinando a gerenciar dinheiro e acabaram no buraco dessa crise. E tem mais: o homem tá certo, nunca vi banqueiro negão mandando na economia internacional.

Plantações de soja atraem cada vez mais estrangeiros
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Pesquisa inédita do Incra revela que estrangeiros são donos de terras em todos os estados brasileiros, inclusive no Distrito Federal. No total, são 3 milhões e 800 mil hectares, destacando-se Mato Grosso com 754.705,4 ha em 1.377 propriedades rurais, São Paulo com 504.742,8 ha em 11.424 propriedades e Mato Grosso do Sul com 423.148,1 ha em 749 propriedades. Seguem-se, em extensão de terras em mãos estrangeiras, Bahia, Minas, Paraná e Goiás, antes de chegar à Amazônia tão discutida hoje em dia.
Plantações de soja, cana-de-açúcar e eucalipto são as que mais atraem compradores, sobretudo no Nordeste e no Centro-Oeste. Produtores endividados vendem a terra a preços acessíveis a investidores de EUA, França, Japão, Alemanha, Holanda, Bélgica, Itália, Inglaterra, México, Noruega e Chile. Mas há empresas de países com economia mais fraca que a nossa, como a argentina El Tejar, que chegou seis anos atrás ao Mato Grosso com a Telhar Agropecuária, plantando milho e soja em 35 mil hectares, e não pára de crescer.
Outra faixa preferencial do território brasileiro cobiçada por estrangeiros é o litoral nordestino, onde empresas e pessoas físicas disputam o mercado turístico. É aí onde mora o perigo, segundo o ex-secretário do Meio Ambiente do Amazonas, Virgílio Viana: “Você sai de uma praia e entra em outra controlada por gringos, quilômetros e quilômetros. Em termos de presença estrangeira, é muito mais grave (que a situação amazônica)”.
Adquiridas por empresas ou cidadãos estrangeiros, estas terras parecem comprovar o fracasso da reforma agrária brasileira e a tese do ongueiro sueco para quem a Amazônia pode ser comprada por US$ 50 bilhões. Na origem de ambas as hipóteses, esconde-se a falta de política de Estado para promover a justa distribuição da terra e criar mecanismos legais de defesa do seu território.
Na América Latina, nossos vizinhos Peru, Bolívia e Paraguai, além do México e Panamá, proíbem a compra de terras por estrangeiros na faixa de fronteira. Outros países impõem algumas restrições, mas Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e Uruguai recebem todos de braços abertos. O Uruguai, por sinal, prepara nova legislação para barrar a invasão de argentinos e brasileiros sobre seu pequeno território.
O fenômeno é mundial. A queda do dólar atrai europeus e japoneses a investir em terras produtivas ou de lazer nos Estados Unidos. Há uma lei federal um pouco restritiva e algumas estaduais que buscam restringir investidas estrangeiras, mas não há proibição legal nem em faixas de fronteira. Na realidade, trata-se de mais um filhote da globalização da economia que chama agora a atenção de todos, em função da produção de alimentos e de energia limpa em escala mundial. Comida e combustível estão mais uma vez na raiz da discussão, mas turismo e lazer surgem também como ingredientes de peso.
Lula atribuiu seu torcicolo à alta dos juros ou ao “chocolate” que o Goiás aplicou no Corínthinas no meio da semana pela Copa do Brasil – ou ainda aos dois juntos. O economista Maílson da Nóbrega acha que ele tem razão, seja qual for a opção, porque em nenhuma delas podia ter feito algo para mudar o rumo da história. Verdade verdadeira, se bem que essa questão não tem a menor importância, comparada à intrigante indagação de Marisa Letícia, a “Galega”, segundo revelação do próprio maridão: “Como pode alguém que não tem pescoço ter dor no pescoço?” O general Castelo Branco, cearense de escol imune à forca e à guilhotina, mas não a acidente de avião, fazia piada consigo mesmo, contando aos amigos que Charles De Gaulle, na visita ao Brasil, presenteou-o com um cachecol.
Voltando às razões do torcicolo presidencial, quanto ao Timão despenca ladeira abaixo, em punição óbvia pela ligação com a máfia russa, e quanto à alta de meio ponto percentual na taxa básica de juros, acho que o Conselho de Política Monetária do Banco Central pode ter errado na dose, mas adota o remédio certo. O Financial Times, de Londres, disse que o mercado financeiro internacional tomou um susto com a elevação da Selic, esperava 0,25% e deu 0,5%. Isso é diferença lá na terra deles, onde os juros andam abaixo dos 5%, aqui passou de 11,25% para 11,75%.
Desemprego em queda, salários em alta, crédito barato…e nem é o governo que alardeia, é a imprensa inglesa, a partir do Financial Times, com repercussão na BBC Brasil. Na realidade, o governo, que poderia tirar algum proveito político do tripé virtuoso, está na difícil situação de aumentar os juros básicos em meio ponto percentual na tentativa de evitar a superação da inflação prevista para o ano, de 4,5%. Segundo o Banco Central, o aumento dos preços ao consumidor deve alcançar 4,66% neste ano. Não é alarmante, mas tampouco pode ser visto sem preocupação, num país onde inflação soa como praga bíblica há pelo menos quatro décadas.
A equação é complexa: como manter o crescimento econômico, as reformas do PAC, os incentivos à indústria, a formalização da economia e os programas sociais mais importantes para as classes menos favorecidas e, ao mesmo tempo, atender os interesses legítimos dos exportadores que tradicionalmente eram os principais responsáveis pelos índices positivos da nossa economia? E como controlar o consumo interno reprimido há tempos, quando o próprio governo promove a inclusão digital, a aquisição da casa própria, a ampliação do crédito, em nome da redução das desigualdades e de uma distribuição de riquezas menos cruel?
O aumento da taxa Selic para 11,75% ao ano está inserido na resposta a ambas as questões. Segundo o governo, é preciso frear o consumo aumentando um pouco o custo do dinheiro, para evitar o estouro da meta de inflação estipulada em 4,5% para este ano. O mercado internacional esperava que o Copom aumentasse os juros básicos em, no máximo, 0,25%, ainda segundo o jornal inglês FT. Esta previsão se baseia no bom momento vivido pela economia brasileira, que não foi afetada sequer pela crise hipotecária norte-americana que contaminou a economia mundial.
Parece que, vacinado contra as turbulências internas e externas, o Brasil preferiu adotar a postura mais conservadora, inibindo o consumo interno através do encarecimento do crédito, ao mesmo tempo que enfrenta o lobby da indústria de exportação, cujos resultados minguam à medida que o dólar desce a patamares inéditos desde 1999.
Se você é capaz de me dizer quanto pagou de CPMF neste ano é porque movimenta muito dinheiro na rede bancária. Eu mesmo não faço a mínima idéia de quanto somou o 0,38% sobre saques, transferências e outras operações na minha conta no Banco do Brasil. Nem quero entrar na discussão sobre o destino dessa grana, se foi para a saúde ou para a doença, para a pobreza ou para a riqueza, só sei que saiu na urina, ao contrário dos 27,5% do imposto de renda sobre o meu salário – que não é renda, como sabemos todos os tapuias. Mas essa é outra história.
Chamou atenção a festa dos senadores oposicionistas depois da derrota da proposta do governo, e nem sou governista, acho até que a incompetência do Lula para negociar é ancestral, vem de seus tataravós lá nas brenhas do agreste, sempre de cabeça baixa, submissos, culturalmente tão avançados quanto os bodes da região. Só isso explicaria a falta de tato na negociação, a absoluta ausência de “timing”, a soberba, enfim, o despreparo para resolver uma questão que superava em muito os interesses políticos.
Mais espantoso foi ver senadores dos Democratas e do PSDB comemorando a derrota da emenda governamental. Ora, não eram exatamente aqueles senhores que em 1996 pugnaram e deitaram falação na defesa da proposta do ministro Adib Jatene? Não foram liberais e tucanos que enfiaram goela abaixo da nação, graças ao “rolo compressor” do Fernando Henrique, o IPMF, em seguida transformado em CPMF?

Cabe aqui o parênteses: sabe por que a mudança de “imposto” para “contribuição”? É que um vai todo para o governo federal, enquanto a outra tem de ser dividida com estados e municípios. Fecha o parênteses.
Hoje PSDB e DEM são contra a CPMF que aprovaram em 1996 porque mudou o país, mudaram os partidos, ou a saúde dispensa o dinheiro da contribuição? Nenhuma das alternativas anteriores. O país continua sem recursos para a saúde, o PSDB é o mesmo e os liberais só mudaram de nome. A questão da CPMF, fora a cornucópia de dinheiro para o governo, é que o acesso às informações permite detectar sonegação, sinais de enriquecimento ilícito e outros crimes menos visíveis a olho nu. Não por acaso a Justiça teve de abrir a caixa preta às investigações policiais – os bancos escondiam a CPMF sob o sigilo bancário.
Hoje pela manhã vi o Everardo Maciel, ex-secretário da Receita Federal, que entende do riscado, dizer que já há outros modos de cruzar muitas informações sem a CPMF, mas é preciso achar um novo instrumento para as operações internacionais entre empresas. Por aí escoa muito dinheiro, limpo e sujo.
No mais, o governo terá de aumentar um imposto aqui, outro ali e controlar os gastos públicos, coisa difícil nessa cultura político-administrativa em que vivemos. Acho que saía mais barato contribuir com 0,38% da movimentação financeira para o SUS…ou não?


Delfim Netto, hoje e ontem: sempre lembrado pelo teoria do bolo.
A consultoria Tendências levantou uma questão interessante sobre o momento econômico nacional. Estamos num cenário ótimo para a aceleração do crescimento, como pretenede o governo, com índices favoráveis em todos os aspectos, do risco-país à cotação do dólar. Segundo a economista que expôs a idéia à Folha no último domingo, vivemos hoje dias ainda melhores do que os do "milagre econômico" dos anos 1970, quando o PIB crescia acima dos 7% ao ano, mas era tudo muito artifical e o sonho virou pesadelo na primeir crise do petróleo, em 73. Não deu tempo de "esperar o bolo crescer para dividir", como defendia o então ministro Delfim Netto, da Fazenda (que, por sinal, defende a economia do governo de Lula).
O PIB da Venezuela é o vermelho. 
O crescimento do PIB da Venezuela foi de 8,8% no primeiro trimestre de 2007, segundo dados divulgados ontem. A atividade petroleira é a principal fonte de divisas no país. A meta de inflação foi mantida em 12%. A previsão é que o crescimento anual atinja entre 6% e 7% nos próximos seis anos. O PIB venezuelano subiu 10,3% no ano passado. Já a economia da Europa do euro cresceu 0,6% até março, ante os três meses anteriores, após investimentos corporativos terem compensado efeitos da alta do juro. As informações são do noticiário sobre América Latina da Bloomberg.
O Ministério Público do Trabalho flagrou 90 bóias-frias em condições degradantes de trabalho numa fazenda de cana-de-açúcar a 390 km da capital paulista. Nenhum equipamento de segurança, nada para primeiros socorros, sem água para beber e sem banheiro, "entre outros problemas", destaca o noticiário. Se é o "custo Brasil" do biocombustível em São Paulo, "avalie" lá onde os fiscais nem aparecem…Lula tem razão, esses usineiros são uns heróis mesmo.
General Enzo, comandante do Exército.
As obras nos aeroportos são tão caras que o TCU investiga apenas as orçadas em mais de R$ 250 milhões. Várias constam do Programa de Aceleração do Crescimento, mas todas são importantes para dotar o país de pontos adequados ao fluxo de passageiros. Chama a atenção o fato de a parceria da Infraero com o Exército contemplar apenas os aeroportos de São Luís e Tabatinga, já que os custos são até 25% mais baixos do que os das empreiteiras, graças basicamente à mão-de-obra fardada. O brigadeiro que preside a Infraero propôs ao general-engenheiro que comanda o Exército mais parecerias em obras de terraplenagem, concretagem, construção e restauração de pistas.
Acaba de cair mais um mito dos anos 90, graças ao levantamento feito pelo vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade, Miguel José Ribeiro de Oliveira: os bancos estangeiros não trouxeram nenhuma competitividade ao mercado basileiro; antes entraram na mesma canoa e hoje cobram até mais do que os tradicionais por serviços e produtos. Isso só vem corroborar a opinião de quem era contrário à abertura do mercado sem a definição de regras. O mito da auto-regulação do mercado pela livre concorrência, aliado ao dos preços mais baratos por serviços privatizados, levou muita gente inteligente a defender a vinda do capital internacional como redenção do país.