17
de
agosto
Bons companheiros
O empenho de Sarney em mostrar o Estadão como autor de "campanha sistemática" contra ele e a família ultrapassa a paranoia e beira a histeria. No discurso de hoje no Senado, o apartamento nos Jardins, em São Paulo, começou medindo 85m2 e logo mais tinha 75m2. Não é por implicância com o senador, é só que ele está tão pouco incomodado com o que se pense dele que diz o que quer, na presunção de que vamos engolir e bater palmas.
Outro que perdeu as estribeiras é o Lula. Não quer saber se a Lina esteve com a Dilma e diz que basta checar as agendas de compromissos de ambas. Parece até que nunca ouviu falar em conversas fora da agenda. Parece até que não seria mais fácil checar o livro de acesso das pessoas ao Palácio do Planalto, onde Dilma dá expediente. Parece até que não há câmeras de segurança espalhadas pelos corredores do poder. Parece até que somos idiotas.
31
de
julho
Depondo na CPI
“Sr. Presidente, antes de mais nada queria dizer que apesar de ordenador de despesas, tesoureiro-mor e reserva moral e ética do partido jamais nomeei quem quer que fosse, nunca sequer mencionei qualquer nome nem sugeri pessoa alguma para cargo no governo. Nem ascensorista, nem copeira, nem contínuo, e muito menos diretor administrativo-financeiro de nenhuma estatal. Nem carta escrevo e há décadas só recebo contas pelo carteiro, que por sinal não conheço porque deixa os envelopes na caixinha do prédio onde moro e cujo endereço não é o que consta dos documentos desta CPI, ao que estou informado”.
27
de
julho
Contra a corrupção
No mês passado, 43 funcionários foram afastados do serviço público. Desde 2003, início do governo Lula, 2.179 foram expulsos do serviço público por atos de corrupção. No mês passado, o governo bateu seu recorde: 43 servidores perderam seus postos. Isso eleva para 311,2 expulsões a média anual e mostra a intensidade de atos de corrupção a que o governo federal está exposto, especialmente porque esses dados não incluem as ocorrências em estatais. No lote de 2.179 expulsões, 1.878 foram demissões sumárias. Outras 169 foram destituições de cargos ou funções e 132 cassações de aposentadorias. Boa parte dos casos envolve o uso do cargo em proveito pessoal ou recebimento de suborno. Apesar disso, a expulsão do serviço público raramente acarreta condenação criminal. Ao mesmo tempo em que comemora o aumento de eficiência dos mecanismos de combate à corrupção, o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage, lamenta que a Justiça não consiga punir os culpados.
23
de
julho
Neguinho, o último exilado
Neguinho, desembarcando no Rio.
Quando ultrapassou a porta automática da área de desembarque e se viu sozinho diante do batalhão de repórteres, fotógrafos, cinegrafistas e antigos companheiros de luta e de exílio, o marinheiro Antônio Geraldo da Costa, mais conhecido por “Neguinho” ou pelo codinome da militância, “Tigre”, precisou caminhar alguns metros até alguém gritar “Viva Neguinho!” e ele ser reconhecido. Baixo e franzino, a aparência pelo menos uma década aquém dos seus 75 anos, avançou então ao encontro dos amigos e, com voz emocionada, soltou o verbo:
9
de
julho
Abraço de afogado
Não queria falar nisso, mas tem sido difícil, impossível mesmo, assistir ao festival de desfaçatez sem meter minha colher. Não colher de sopa, que não sou nenhum cientista político, nem mesmo de sobremesa, que tampouco sou colunista político versado e tergiversado em muitos assuntos. A minha modesta colher de chá pode até ser interpretada como ajuda, sabe como? Pois é.
Se me perguntassem hoje, diria que o presidente Lula comete no momento seu maior deslize político desde 2003, incluindo aí casos escabrosos como o assassinato de Celso Daniel, o mensalão, os aloprados do Berzoini e a violação do sigilo bancário do Francenildo. Escorado no formidável índice de popularidade de quase 80 por cento e certo de que é uma espécie de semideus infalível, desafia os ares e manda seu partido defender Sarney com unhas e dentes.
Só mesmo viajando muito para não perceber o cenário armado no Senado. Será que entre um aeroporto e outro ninguém soprou ao ouvido supremo a realidade percebida em toda parte? O rei está nu, presidente. Sarney está se desmanchando como os sonhos dos seus antigos correligionários. Quem ficar com ele corre o risco de afundar no conhecido “abraço de afogado”.
A fantástica popularidade do presidente Lula se deve ao seu carisma, a sua empatia e ao seu charme especial, que lhe permite sentar-se ao lado da rainha da Inglaterra na foto oficial de um encontro de chefes de Estado e de governo em Londres, ou ser saudado como “o cara” pelo presidente norte-americano que também significava novidade, como vimos. Mas, como vemos, aprendeu, tanto quanto “o cara”, que não se muda muita coisa nessa engrenagem antiga, mas que nunca enferruja porque é azeitada o tempo todo com dinheiro, muito dinheiro.
O poder é máquina de moer ideias e pessoas. Quem é este Lula aliado de Sarney? Quem é esta Dilma aliada de Sarney? Quem são essas pessoas aliadas de Sarney? José Sarney representa o ocaso de uma geração, como Antônio Carlos Magalhães. Lembra do ACM? Pois é. Fez Paulo Souto governador em 2002 e quis fazer de novo em 2006. As pesquisas todas davam Paulo Souto na cabeça, não tinha pra ninguém, muito menos para Jaques Wagner, que acabou eleito no primeiro turno com quase 53% dos votos. Cansado de ACM, o povo fingiu apoiar seu candidato e votou no outro.
Nas eleições seguintes ao escândalo do mensalão, vários deputados envolvidos tentaram se reeleger e quebraram a cara. Professor Luizinho, João Magno e até quem não tinha nada com isso mas dançou, a médica Ângela Guadagnin – só estou citando petistas. Quem se lembra da Àngela? Uma gordinha simpática, ex-prefeita de São José dos Campos, oclinhos de aro fino, parecia apresentadora de programa de culinária na tevê. Comemorou a absolvição do João Magno dançando no plenário e depois dançou nas urnas da reeleição.
Guardadas as proporções, Lula pode estar dançando como Ângela Guadagnin, por não prever estragos políticos resultantes de alinhamentos difíceis do povão engolir. A soberba não é boa companhia, menos ainda conselheira confiável.
Emplacar Dilma Rousseff candidata do seu partido já tem sido complicado demais, ela não ajuda, é brigona, dá esporro reunião, não é nenhuma miss simpatia – bem ao contrário. Tanto é uma pré-candidata pesada que Lula depende o PMDB para tentar elegê-la no ano que vem. Mas daí a se enlamear com Sarney e companhia bela é outra história. O povo pode estar aplaudindo, os aposentados do INSS rindo à toa com a promessa de ganho real, mas na hora de votar, o buraco é mais embaixo. Tá todo mundo vendo tudo o tempo todo.
9
de
julho
Tudo igual
Bate-boca ontem no plenário do Senado entre Tasso Jereissati e Eduardo Suplicy, observado de perto por colegas. Atrás de Tasso, o presidente tucanoSérgio Guerra tenta acalmá-lo, em vão. O coronel cearense tem a mesma empáfia de outro coronel, Antônio Carlos Magalhães, e quando se exalta parece até fenômeno de reencarnação. Mas o detalhe que me chamou atenção é o modelito da galera. Parece que compram ternos na mesma loja em Brasília, e no mesmo tom. Deve ser para confundir a gente, né não?
7
de
julho
Diadema retrós!
Dilema atroz! aprovado no Senado em caráter terminativo o projeto que isenta diabéticos do recolhimento do imposto de renda, não sei se torço para ele passar também na Câmara e ser sancionado pelo Lula, ou se continuo à espera da cura prevista em pesquisas com células-tronco. Como ganho menos que um neto do Sarney ou uma nora (nova) do Lobão, continuarei a apostar na medicina.
25
de
junho
Vê se me erra!
INSISTENTES BOATOS CIRCULARAM HOJE EM
BRASÍLIA DANDO CONTA DA MORTE POLÍTICA DE
JOSÉ SARNEY. NO FIM DA TARDE, O PRÓPRIO
SENADOR VEIO A PÚBLICO E ESCLARECEU:
"CALMA AÍ, BRASILEIROS E BRASILEIRAS, A MORTE
NÃO É MINHA: É DO MICHAEL JACKSON".







