Visão Crítica

Política, economia, cultura e cotidiano por LUIZ AUGUSTO GOLLO

3

de
setembro

Maldade 2

Dilma Rousseff disse que está livre do câncer. Zé Alencar ainda não.

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3

de
setembro

Maldade 1

Roberto Carlos disse em São Paulo que não está namorando, mas está aberto ao que der e vier. Deus o proteja. 

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3

de
setembro

Uga, buga!

 

Frank, no www.cartunistasolda.com

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3

de
setembro

Moscas imortais

 

Fernando Affonso Collor de Mello é o mais novo imortal da Academia Alagoana de Letras. E daí?, perguntarão os céticos e os cínicos, se até Getúlio Vargas também foi imortal, e da Academia Brasileira de Letras! Que mal há em conceder ao ex-presidente da República honraria estadual, na verdade só um pouquinho mais provinciana do que o chamado “Petit Trianon” fundado por Machado de Assis?
 
A relação das obras de Fernandão é reveladora: “Reforma política e sistema de governo” possivelmente trata das mudanças que não aconteceram e do presidencialismo reafirmado sobre o parlamentarismo no famoso plebiscito de 1993. “O desafio de Maceió” é ficção política e não romance sobre um duelo acontecido na pacífica capital alagoana. “Maceió: 20 anos em 3” deve ser sobre o avanço da miséria durante a administração do jovem prefeito, em 1979.
 
 “Manual dos municípios” pode ser publicação da Telelistas, com endereço, telefone, fax e CEP das prefeituras de todo o país. “Brasil, um projeto de reconstrução nacional” tenho certeza de que é o ideário do extinto Partido da Reconstrução Nacional, o PRN que o alçou à presidência da República, dez anos depois. E “Relatos da História” relaciona contos infantis que Dona Léda, sua “dearest mommy”, lhe contava à noite, para chamar o sono do inquieto rebento.
 
Prolífico desse jeito, é de estranhar que Collor não ocupe cadeira da ABL, ao lado de José Sarney, outro beletrista de escol, autor de obras mais apreciadas na França do que no Maranhão, e do não menos festejado Marco Maciel, autor de obras ainda mais ignotas. Unindo as existências dos três personagens, fatos e circunstâncias curiosos:
 
Em 1979, Fernando Collor foi nomeado prefeito pelo governador de Alagoas, Guilherme Palmeira, e sucedeu José Sarney depois de uma campanha eleitoral em que só não o chamou de “bigodudo”. Marco Maciel foi líder do governo Collor no Senado e, logo mais, escolhido vice de Fernando Henrique, em 1994, depois que Guilherme Palmeira foi preterido em função de acusações de irregularidades na Comissão Mista do Orçamento. Como vemos, não mudam nem as moscas…
 
Bem, Guilherme Palmeira não virou imortal, mas, vivíssimo, descolou uma vaga de ministro e chegou a vice-presidente do Tribunal de Contas da União. Hoje, com de 70 anos, aposentou-se. Se tiver ânimo, pode entrar também para a Academia Alagoana de Letras e ser colega do antigo pupilo, com apoio dele, de Renan Calheiros e do terceiro senador pelo estado, João Tenório, suplente de Teotônio Vilela Filho, herdeiro político de Teotônio Vilela, que começou na UDN em 1948, bandeou para a Arena quando os militares extinguiram os antigos partidos e foi para a oposição em 1979, quando a ditadura começou a agonizar.
 
Morreu em 1983 não mais como usineiro reacionário, mas como entusiasta da eleição direta para presidente e amigo da cantora Fafá de Belém, musa das diretas. Mas esta é outra história. 

 

31

de
agosto

Ótica errada

 Foi aqui que a gripe pegou Uribe.

Essa gripe suína que pegou o presidente colombiano Álvaro Uribe só pode ter sido praga do Chávez e dos outros presidentes reunidos na Unasul, em Bariloche. Só Alan García, do Peru, e Tabaré Vásquez, do Uruguai, não bateram nele, os demais foram contra a utilização das bases por militares norte-americanos. A queixa geral é contra a presença militar ostensiva dos Estados Unidos no subcontinente. Quase ninguém condena o combate ao narcotráfico na produção, e não no consumo. No dia em que se inverter a ótica, nós é que mandaremos polícia e exército para ajudar norte-americanos e europeus.  

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28

de
agosto

A vol d’oiseau

O Ministério Público de São Paulo proibiu, ou quer proibir, crucifixos em repartições públicas sob a alegação de que o Estado é laico. Como assim, se a Câmara dos Deputados acaba de aprovar o acordo do governo com a chamada Santa Sé, tornando obrigatório o ensino de religião nos primeiros anos da educação pública formal? É absurdo, eu sei, mas qual deles é o maior? Pessoalmente, concordo com o Gilmar Mendes: “Espero que não tirem o Cristo do Corcovado, nem acabem com a Páscoa e o Natal”.

Quando o papa Bento 16 esteve entre nós, o presidente Lula fez questão de deixar bem claro que o Brasil é um país laico. Mas quando foi a Roma, assinou um acordo abrindo o ensino laico às aulas de religião. Na volta, mandou para a Câmara, que discutiu muito, mas aprovou, junto com uma lei geral das religiões. Quer dizer que além da catequese católica as crianças poderão aprender passes de umbanda, fundamentos do espiritismo e o que mais se apresentar como aula de religião.
 
E o Supremo inocentou o Palocci da quebra do sigilo bancário do jardineiro Francenildo, lembra dele? Refresque a memória nos sites da imprensa, ele foi o único dos implicados presente à sessão. Alguém argumentou que está na cara a autoria intelectual do crime, mas os ministros, como bons advogados, creem que “o que não está nos autos não está no mundo”. Sobrou para o ex-presidente da Caixa Econômica, Jorge Mattoso, indicação da Marta Suplicy, ex-preso político e pelo visto aético à toda prova. Já se diz até que Palocci pode tomar o lugar da Dilma na candidatura a presidente. “Cê pena que num podi piorá? Piora!”, dizia uma amiga mineira jornalista.
 
E a Dilma, hein? Circula na net um e-mail advertindo para não abrir de jeito nenhum uma mensagem com fotos de Dilma nua…pode ser verdade. Agora, falando sério, é séria essa história do pedido dela a Lina Vieira para apressar a investigação sobre Fernando Sarney? É séria a versão dos 30 dias das imagens no sistema de segurança da sede do governo? É séria alguma coisa que se diga sobre o caso pelo pessoal do governo? Verdade verdadeira, vejo mais seriedade no Mercadante – antes da conversa com o Lula, claro.
 
E as criancinhas de Orlândia? Conhece Orlândia? Nem eu. Duas crianças de dois anos de idade foram flagradas pela funcionária de uma creche pública brincando com dois pacotinhos de cocaína. A diretora chamou a polícia e recomeçou a discussão sobre a redução da maioridade penal, porque, protegidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, os minimeliantes pegariam no máximo três anos e voltariam ao crime com apenas cinco aninhos. Nome da creche? “Boca pequena”.
 
E o José Saramago? O jornal diz que “Depois de padecer de uma grave enfermidade respiratória que quase lhe custou a vida, ele lança seu novo romance, Caim, em que redime o personagem bíblico do assassinato do irmão Abel e credita a Deus a autoria intelectual do crime, ao depreciar o sacrifício que Caim Lhe havia oferecido”. O gajo é bestial! É seu também “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, em que igualmente exerce à vontade seu ateísmo virulento. O que consola é que não falta muito para ele se explicar.
 
E o Michael Jackson, hein? A polícia chegou à conclusão de que foi assassinado por uma dose letal do analgésico Propofol, aliada a midazolam, diazepan, lidocaína e efedrina, de acordo com a autópsia agora divulgada. Que droga de vida! 
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24

de
agosto

Fumando espero

 Basile pitando seu cigarrinho. 

A coisa anda feia para treinadores de futebol argentinos, a julgar pela interpelação de Alfio Basile e seu auxiliar Rubén "Panadero" Díaz, do Boca Juniors, que se explicarão ao Tribunal de Disciplina da Federação Argentina de Futebol, AFA, en español, às seis da tarde desta terça-feira. Ambos fumaram à beira do gramado, durante a partida da primeira rodada do campeonato, que terminou empatada em dois a dois, contra o Argentinos. Desde 2005 a AFA proíbe o fumo em campo, mesmo no banco de reservas e, agora, com a onda antitabagista internacional que também contaminou o governo de Cristina Kirchner, encheu-se de moral.

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21

de
agosto

O beijo e o escarro

 

Aloysio Mercadante e Lula: uma questão de ótica.

Esta é a terceira ou quarta tentativa de iniciar a crônica semanal. Não precisaria, necessariamente, tratar de política, podia escrever sobre o médico paulistano que assedia as pacientes de inseminação artificial, ou o motorista da van escolar preso mostrando vídeo pornô para a aluna de 12 anos dentro do veículo, ou algum tarado entre milhões. Mas, enfim, nada me parece tão imoral quanto a situação na qual o presidente Lula pôs o partido que ajudou a fundar e que o levou ao pedestal onde está, mirando tudo de cima como se fosse mesmo “o cara” a quem se referiu Barack Obama.
 
Escrevo na tarde da sexta-feira plúmbea e abumbrosa no Rio, os termômetros ao redor dos 22 graus, o que, para carioca, é inverno brabo. Assisti, pela manhã, ao patético discurso de Aloysio Mercadante com os motivos da sua não-renúncia ao posto de líder petista no Senado. Me deu pena dele e é sobre o que escreverei.
 
Mercadante continua acreditando no partido e no Lula, um erro duplo e fatal. Seu mandato expira no ano que vem e nada garante que terá legenda para disputar a reeleição. Não aceitou apoiar Sarney precisamente porque seu eleitorado não entenderia, mas a qualquer momento, até a convenção que definirá os candidatos, será descartado, com todos os dez milhões de votos que o elegeram em 2002 e que o PT considera seus. Afinal, foi um insubordinado no momento exato da exposição pública de Lula aderindo ao patrimonialismo e à falta de ética que sempre combateu. Se lhe negarem a legenda, de nada valerão seus votos e eleitores passados.
 
Mercadante pode tirar o cavalinho da chuva, como dizia minha avó, porque o PT negará a vaga para a reeleição, o primeiro sinal foi a Marta Suplicy ressuscitar dos mortos como possível candidata ao Senado, e Lula afirmar que isso seria ótimo. Ainda assim, na suposição de que ele consiga a vaga para tentar a reeleição, quem garante que não sofrerá na campanha o boicote dos “companheiros” fiéis ao líder máximo, o Stalin petista?
 
Creiam, é duro escrever essas coisas mesmo para quem nunca foi petista, mas, como eu, sempre foi de esquerda e a cada dia se decepciona mais com o que se passa na tela nacional. Aloysio Mercadante não é bobo, tem uma história impecável, o que não se pode dizer, por exemplo, de José Genoíno, mas essa é outra enfermaria. Sua postura no discurso desta manhã na tribuna do Senado é a de um homem comprometido até a medula com suas ideias, coisa rara nos dias que correm.
 
Foi em nome disso que ele capitulou ao apelo de Lula para continuar na liderança do partido no Senado, depois de haver anunciado a renúncia até pelo twitter, geringonça inventada para nos cobrar coerência. Pois Mercadante subiu e leu a carta escrita por Lula para fazê-lo desistir. Na véspera, não aceitara fazer o mesmo com a carta do presidente do PT, Ricardo Berzoini, que mandava os petistas do Conselho de Ética votarem a favor do Sarney.
 
Pobre Mercadante, viu a luta menor e não a maior. Não se submeteu à ordem do capataz, mas sucumbiu à chantagem emocional do fazendeiro. Ambas as cartas visavam ao mesmo objetivo: prendê-lo à liderança da bancada petista no Senado, mesmo depois de ele ter anunciado a renúncia e de haverem até cogitado seu sucessor. Paciente rebelde, Mercadante insiste que está saudável, embora seus pares no Senado detectem os sinais da doença que o vitima: ingenuidade política.
 
Sua situação me remete aos “Versos Íntimos”, de Augusto dos Anjos, para os quais peço sua detida atenção:
 
“Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
 
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
 
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
 
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!”
 
A não seguir os conselhos do poeta, mais dia, menos dia, Aloysio Mercadante saberá da sua substituição por um repórter furão ou pela notícia estampada na primeira página de algum jornal.

 

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18

de
agosto

Triste Bahia

Assisti hoje a uma exposição de Ciro Gomes para dezenas de reitores de universidades federais, na Unirio, e concordei com tudo o que disse, sobretudo a parte em que cobrou dos reitores engajamento na construção de um país sério. O Brasil que Ciro defende é como os Estados Unidos e os países europeus.

Quando vejo a mixórdia em que nos metemos no Congresso Nacional, a pouca-vergonha de Sarney a Lula, passando pelos petistas preocupados só com a eleição do ano que vem, tenho que concordar com Ciro, de quem não gosto muito. Esta baderna só terá fim com o arranjo político que permita pensar o país e não as pessoas. Enquanto China, Rússia e Índia andam para a frente, andamos para trás, caranguejos que somos desde 1500.

Pelo que vi e ouvi esta tarde, Ciro Gomes é uma luz no túnel deste país anacrônico que não toma jeito. E tem mais: Lula não ganha no ano que vem nem a pau. Está enterrando sua biografia na pior companhia que podia escolher: Renan, Collor e Sarney.

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17

de
agosto

Bons companheiros

O empenho de Sarney em mostrar o Estadão como autor de "campanha sistemática" contra ele e a família ultrapassa a paranoia e beira a histeria. No discurso de hoje no Senado, o apartamento nos Jardins, em São Paulo, começou medindo 85m2 e logo mais tinha 75m2. Não é por implicância com o senador, é só que ele está tão pouco incomodado com o que se pense dele que diz o que quer, na presunção de que vamos engolir e bater palmas.

Outro que perdeu as estribeiras é o Lula. Não quer saber se a Lina esteve com a Dilma e diz que basta checar as agendas de compromissos de ambas. Parece até que nunca ouviu falar em conversas fora da agenda. Parece até que não seria mais fácil checar o livro de acesso das pessoas ao Palácio do Planalto, onde Dilma dá expediente. Parece até que não há câmeras de segurança espalhadas pelos corredores do poder. Parece até que somos idiotas.

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